Terça-feira, 26 de maio de 2026 - 14h35

O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado ajuizaram
uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência para assegurar a
continuidade do fornecimento de energia elétrica em comunidades isoladas do
estado, diante do risco concreto de interrupção do serviço que afeta cerca de 9
mil moradores de localidades ribeirinhas, quilombolas e rurais não conectadas
ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
A medida foi protocolada na 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de
Rondônia e tem como alvos a União, a Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a empresa Brasil Bio
Fuels (BBF) e a Energisa Rondônia.
A atuação do Ministério Público, tanto Federal como Estadual, ocorre
após semanas de monitoramento da crise energética que atinge distritos e
comunidades em municípios como Porto Velho, Guajará-Mirim, São Francisco do
Guaporé, Chupinguaia, Alta Floresta d’Oeste e Presidente Médici. Segundo a ação,
sucessivas interrupções no serviço já comprometeram atividades escolares,
atendimentos de saúde, vacinação e abastecimento básico de água potável nessas
regiões.
Na petição inicial, o MPF sustenta que a concessionária BBF enfrenta
grave crise financeira, está em recuperação judicial e não tem conseguido
manter obrigações básicas, como pagamento de fornecedores, logística de
combustível e manutenção de equipamentos essenciais para operação das usinas
termelétricas responsáveis pela geração local de energia.
De acordo com o documento, a ANEEL já tinha conhecimento formal do risco
de colapso desde 2024, mas, segundo o MPF, União e agência reguladora
permaneceram omissas quanto à adoção de providências estruturais capazes de
evitar a descontinuidade do serviço.
MPF e MPRO pedem à Justiça que determine medidas imediatas para garantir
o fornecimento energético, incluindo a substituição emergencial da atual
operadora pela Energisa Rondônia, conforme previsão do Decreto nº 12.054/2024,
até que seja realizado novo processo licitatório para definição definitiva da
prestação do serviço.
Além da solução emergencial, a ação também requer que União e ANEEL
sejam obrigadas a apresentar plano concreto para interligação definitiva dessas
localidades ao Sistema Interligado Nacional, eliminando a dependência dos
sistemas isolados e prevenindo novos episódios de apagão.
Para o Ministério Público, a situação ultrapassa o campo contratual e
representa violação direta de direitos fundamentais, especialmente à dignidade
da pessoa humana, ao acesso à saúde, educação e segurança alimentar das
populações afetadas. A ação agora aguarda análise judicial do pedido liminar.
Caso deferido, as medidas poderão ser implementadas imediatamente para evitar
novos apagões nas comunidades atingidas.
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