Sexta-feira, 22 de maio de 2026 - 14h37

No Brasil, 8,8 milhões de mulheres declararam ter sofrido algum tipo de
violência online em 2025. Para ampliar a proteção e garantir a
responsabilização de crimes cometidos em ambiente digital contra elas, um
pacote de leis e decretos foram aprovados, nesta quinta-feira (21/05), pelo
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Amazonas, o Núcleo Especializado
de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) acompanha as mudanças na
legislação.
A frase “internet é uma terra sem lei” é bastante ouvida e difundida
pela população, mas não representa o atual cenário do ambiente digital no
Brasil, que já tem punições mais severas para quem comete crime nesse meio,
especialmente contra as mulheres.
Para a defensora pública e coordenadora do Nudem, Caroline Braz, as
redes foram invadidas por discursos de ódio contra o público feminino e a
consequência disso ultrapassa as telas, impactando diretamente as vítimas, que
se sentem desamparadas e violadas virtualmente.
“A aprovação deste pacote legislativo também tem um forte significado
simbólico e jurídico, ao reafirmar que o ambiente virtual não é uma ‘terra sem
lei’. É necessário que haja seriedade no combate aos crimes praticados nas
plataformas digitais, reforçando que não é possível ofender, perseguir, expor
ou ameaçar alguém na internet sem qualquer consequência, especialmente quando tratamos
de violências direcionadas às mulheres, que são atingidas de forma
desproporcional por crimes como divulgação não autorizada de imagens íntimas,
perseguição virtual e ataques misóginos”, destacou a defensora pública.
Ainda de acordo com Caroline Braz, as leis e decretos criam mecanismos
mais efetivos de responsabilização e representam um importante avanço,
sobretudo porque reconhecem que as agressões virtuais produzem impactos reais,
profundos e muitas vezes devastadores na vida das vítimas.
“Essas medidas ampliam os instrumentos de proteção e contribuem para que
mulheres se sintam mais seguras para denunciar situações de violência,
exposição indevida, perseguição e ameaças ocorridas nas plataformas digitais”,
acrescentou.
Novas leis e decretos: o que muda a partir de agora
Canal permanente de denúncias: o decreto determina que as plataformas
digitais têm o dever de criar canais permanentes e facilitados de denúncias
relacionadas à violência contra as mulheres, como em casos de exposição de
imagens íntimas, assédio, perseguição, entre outros tipos de
situações.
Responsabilização e resposta das plataformas: a partir do momento
que uma denúncia for feita às plataformas, elas terão o prazo de até duas horas
para retirar o material do ar. Além disso, deverão armazenar as provas e
informações necessárias para que a situação seja investigada pelas autoridades
competentes.
Uso de IA na sexualização de meninas e mulheres: o uso da Inteligência
Artificial também virou mais um problema na violência enfrentada por mulheres.
A partir de agora, está proibido o uso desse mecanismo para criar imagens
sexualizadas e íntimas.
O papel da Defensoria Pública
A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) conta com o Núcleo
Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), responsável
por garantir que a legislação e os mecanismos de proteção das amazonenses em
situação de vulnerabilidade sejam cumpridos.
Com uma equipe 100% feminina, composta por psicóloga, assistentes
sociais e defensoras, o núcleo realiza um atendimento humanizado e
individualizado e está disponível para prestar assistência e orientação
jurídica para mulheres que necessitam do acesso à Justiça.
O Nudem fica localizado na Avenida André Araújo, nº 7, bairro
Adrianópolis, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O
agendamento pode ser feito presencialmente no núcleo e pelo WhatsApp da
Defensoria (92) 98559-1599.
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