Sexta-feira, 20 de julho de 2018 - 11h07

247 – Cinco meses depois, a intervenção militar no Rio de Janeiro não deu o menor sinal de sua relevância para combater a violência naquele estado. A impressão que vai se consolidando é a de que a ação não passou de uma jogada de marketing de Temer para tentar recuperar alguma popularidade. Até nisso, a intervenção fracassou, já que a impopularidade de Temer caiu ainda mais desde o início da operação no Rio.
Em 21 de fevereiro, o Congresso Nacional aprovou decreto da Presidência da República que determinava a intervenção federal na área de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, com prazo estipulado até 31 de dezembro deste ano. A medida previa que o processo fosse comandado por um general, com apoio das Forças Armadas, em particular do Exército. A decisão do presidente Michel Temer (MDB) surpreendeu setores expressivos da sociedade.
Se eram evidentes os sinais de uma escalada da criminalidade no Rio, em meio a graves restrições orçamentárias, a intervenção surgia de modo repentino, sem prévia discussão e preparativos. Difundiu-se de imediato a sensação de que se tratava de um ato que atendia a propósitos políticos. Enfraquecido por acusações de envolvimento em corrupção, desgastado pelas crescentes dificuldades em aprovar a reforma da Previdência e já sob influência do calendário eleitoral, Temer, de maneira imprudente para um político com sua experiência, declarou numa entrevista à TV que havia realizado uma “jogada de mestre”.
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