Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 - 14h24

Imagine o seguinte cenário: uma senhora de 80 anos
é chamada pelo nome no portão de sua casa. Do lado de fora, um homem segura uma
cesta básica e se apresenta como assistente social da prefeitura de Porto
Velho, afirmando que ela tem direito aos alimentos, mas que, para isso, precisa
atualizar o cadastro. Após tirar algumas fotos e coletar dados pessoais, o
homem vai embora. Dias depois, a idosa descobre que possui uma dívida superior
a R$ 30 mil junto ao sistema bancário.
Esse tipo de golpe tem se tornado recorrente em
diversos bairros de Porto Velho e motivou a realização de uma coletiva de
imprensa conjunta entre a Polícia Civil de Rondônia (PC/RO) e a Prefeitura de
Porto Velho, no final da manhã desta segunda-feira (19) com objetivo de
esclarecer à população sobre essa prática criminosa.
Participaram da coletiva a secretária adjunta de
Inclusão e Assistência Social, Tércia Marília, o diretor-adjunto da Polícia
Civil, Claudionor Muniz, e a representante da Delegacia Especializada em
Repressão às Fraudes (Defraude), delegada Ádrian Viero da Costa.
De acordo com o diretor-adjunto da Polícia Civil, Claudionor Muniz, a própria prefeitura também figura como vítima da quadrilha, que se passa por agentes públicos municipais para ganhar a confiança dos cidadãos e aplicar o golpe, o que tornou necessária a atuação conjunta das instituições.

“É importante que a prefeitura atue junto com a
Polícia Civil para auxiliar nas investigações. A principal recomendação é que
os cidadãos não forneçam dados pessoais a pessoas que apareçam em suas
residências. Os fatos começaram a ser investigados na última semana, e essa
coletiva é uma resposta rápida à população. Quem foi vítima deve procurar a
Polícia Civil para que os criminosos sejam responsabilizados”, afirmou
Claudionor Muniz.
A secretária adjunta Tércia Marília reforçou as recomendações de segurança, destacando que os idosos são o principal alvo dos estelionatários. Segundo ela, a entrega de cestas básicas ocorre nas unidades do CRAS, salvo raras exceções em casos de comprovada impossibilidade de locomoção do beneficiário.

“Assim que tomamos conhecimento dos fatos, por determinação do prefeito Léo Moraes, acionamos imediatamente a Polícia Civil, que prontamente se colocou como nossa parceira na defesa da comunidade. Não tiramos fotos do rosto de ninguém, todas as visitas são previamente agendadas e nossos servidores não utilizam camisetas brancas. Antes de receber qualquer pessoa, o cidadão deve confirmar a informação diretamente no CRAS”, alertou Tércia Marília.
À frente das investigações, a delegada Ádrian Viero da Costa explicou os procedimentos adotados pela Defraude para identificar os integrantes da organização criminosa e impedir a continuidade dos golpes. Ela destacou que pessoas em situação de vulnerabilidade social são os principais alvos dos criminosos.

“A prefeitura também é vítima, assim como os idosos, pelo uso indevido de sua identificação. A Polícia Civil está atuando para reprimir essa prática e proteger os cidadãos. Em muitos casos, os criminosos entram em contato por telefone e agendam visitas, tudo de forma planejada para aplicar o golpe”, explicou a delegada.
Atualmente, a Prefeitura de Porto Velho é responsável por oito unidades do CRAS, que desenvolvem ações sociais voltadas à inclusão e ao acesso de pessoas em situação de vulnerabilidade aos serviços públicos.
Todos os dados já foram coletados e as investigações seguem em andamento pela Polícia Civil.
Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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