Porto Velho (RO) domingo, 26 de maio de 2019
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Energia e Meio Ambiente

A segurança por trás das barragens para hidrelétricas

No setor elétrico, a barragem é um ativo, sendo imprescindível para a geração de energia, ao contrário do que acontece na mineração, quando são usadas para o acúmulo de rejeitos


A segurança por trás das barragens para hidrelétricas - Gente de Opinião

As tragédias de Brumadinho e de Mariana, em Minas Gerais, nos últimos anos fizeram com que o termo barragem ganhasse uma conotação negativa. No entanto, nem todas essas estruturas abrigam rejeitos de atividades produtivas. Ao contrário da mineração, as barragens para o setor energético são um ativo do negócio: sem água, não há geração de energia.

No Brasil, existem 1.124 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs). Considerando aquelas em operação, em construção, em estudos e inventariadas, totaliza-se aproximadamente 3 mil plantas.

As PCHs são empreendimentos de 5 até 30 megawatts (MW) de potência. Já as Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs) vão de 1 até 5 (MW), e os seus reservatórios devem ter menos de 13 km² de área. Na sexta-feira (10), o Parque Barigui, em Curitiba, deve receber uma CGH, que será usada para abastecer o parque de energia.
Em 2017, um relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) mostrou que havia 45 barragens que preocupavam órgãos fiscalizadores no país das mais de 24 mil existentes para diferentes finalidades, caso de irrigação, acúmulo de água, rejeito de minérios ou industriais e geração de energia. Entre as consideradas problemáticas, nenhuma delas era PCH ou CGH.

“Precisamos reverter a imagem de que a usina hidrelétrica é algo perigoso porque tem uma barragem e por não ser super tecnológica, como alegam outras fontes”, afirma o diretor de Comercialização da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch), Marcelo Otte, no workshop técnico de abertura da 3ª edição da Conferência Nacional de PCHs e CGHs, que ocorre em Curitiba até a próxima sexta-feira (10).

 Preocupação
A engenheira civil Camila de Goes Silva, coordenadora da Intertechne, apontou que 87% das PCHs se enquadram às políticas de segurança estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores e 10% das CGHs, o que demanda a necessidade de elaborar planos de segurança, entre outras exigências. Após o incidente em Minas Gerais, algumas medidas já foram tomadas, como a criação de um Conselho Ministerial de Respostas a Desastres e o Projeto de Lei 550/2019, de autoria da senadora Leila Barros (DF) que está tramitando no Senado Federal e reforça a efetividade da Política Nacional de Segurança de Barragens.
Otte também afirma que a evolução tecnológica e um monitoramento adequado permite que os empreendedores sejam capazes de controlar o volume de água que será recebida em períodos de cheias – o principal risco para as barragens elétricas. “Com a devida instrumentação, localizada fora da barragem, é possível ter antecedência de muitas horas em relação às cheias, planejando impactos e tomando medidas mitigadoras”, diz.

Supervisor técnico de Engenharia da Intertechne, Alex Martins Calcina afirma que há diferentes parâmetros a serem monitorados, desde os riscos geológicos, possíveis deformações e falhas estruturais. Nesse contexto, há diferentes equipamentos, como os medidores de pressão – os piezômetros --, capazes de indicar a condição da estrutura.


Financiamento de projetos
No segundo workshop da manhã, o consultor da Abrapch Julien Dias abordou o financiamento e as alternativas para viabilizar empreendimentos, apontando caminhos para obter crédito para novos negócios. Além disso, apresentou diferentes alternativas existentes no mercado para os empreendedores interessados em investir em PCHs e CGHs, assim como a estimativa da viabilidade financeira. 

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