Porto Velho (RO) sexta-feira, 4 de dezembro de 2020
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Uma mentira repetida várias vezes se converte em 'verdade'


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Abdoral Cardoso

 

Coletiva– Dia 11 de julho a Polícia de Rondônia anunciou o apoio da Polícia Federal para fechar o rastreamento da movimentação financeira da quadrilha investigada na operação Apocalipse. A operação é a mesa que fez o vice-presidente da ALE, deputado Maurão de Carvalho, solicitar a íntegra da cópia do inquérito policial para o Legislativo iniciar a apuração do possível envolvimento dos deputados Cláudio Carvalho, Adriano Boiadeiro, Jean Oliveira e “Ana da 8”, e o afastamento do próprio presidente do Legislativo de Rondônia, deputado Hermínio Coelho. Por falar em “Boiadeiro” tem tanta fortuna e engorda de boi mal explicadas nas grandes fazendas do Estado, que nem o ex-rei da soja, empresário Olacyr de Moraes conseguiria justificar.

No casulo– Mas com certeza, Olacyr de Moraes não perderia a oportunidade, como empresário de larga visão, de apoiar instituições do Estado Democrático de Direito, como a Polícia Civil de Rondônia, nas ações de combate à corrupção e ao crime organizado em todas as suas variáveis. Pela simples convicção de que ninguém investe num país ou região, onde esse tipo de crime assume proporções inaceitáveis, tornando-se braço forte inclusive do narcotráfico, que não por mera coincidência transformou o Estado em rota de passagem de drogas.

Versão– Os depoimentos dos chefões do bando que clonava cartões de crédito, cabos eleitorais para nomeação em gabinetes de deputados e vereadores, corrompia servidores públicos, além de, segundo ainda a Polícia Civil, financiar campanhas políticas de lideranças emergentes com dinheiro do narcotráfico, Fernando Braga Serrão, o “Fernando da Gata” e Alberto Ferreira Siqueira, o “Beto Baba”, começam a desmentir a versão construída pelo deputado Hermínio Coelho, de que a deflagração da operação Apocalipse, que prendeu o seu filho (dele) Roberto Rivelino Guedes Coelho, o “Guga”, era uma perseguição política do governo.

Precisãocirúrgica – Quem definiu a operação com uma precisão cirúrgica foi o diretor-geral da Polícia Civil, Pedro Mancebo. Na sexta-feira (12) logo após anunciar a prisão de outro líder da organização, “Beto Baba”, o delegado afirmou que a instituição apura o caso com imparcialidade, independente de quem seja alcançado. “É uma polícia de Estado e não de governo. Estamos cumprindo com o nosso papel desarticulando esta quadrilha”.

Versão fraca– Embora todo pobre mortal saiba que uma mentira repetida várias vezes se converte em “verdade”, ainda assim o deputado Hermínio Coelho, que usa sua prerrogativa para denegrir a imagem de qualquer opositor, parece ter esquecido que nomeou de próprio punho um grupo suspeito de integrar a organização criminosa e estão lotados no Gabinete da Presidência. A lista consta do inquérito policial entregue no último dia 11 de julho ao Ministério Público de Rondônia. Constam da lista de acusados, Antônio Carlos Pontes Silva, Bruno César Pinto, Elieudo Peixoto Gomes, José Maria Carneiro da Silva, Alessandro Márcio dos S. Domingues, Telismar Lobato, Marinilo Pereira Trindade, Sebastião Viana Silveira, Geisa Gomes da Silva, Geisibel da Silva Souza, Meire Andrea Gomes e Fernandes Dias Gomes, além de comissionados da Câmara de Vereadores de Porto Velho e assessores da Casa Civil do próprio Governo, nova evidência da não motivação política da operação.

Recambiados –Acossado pelos jornalistas no desembarque em Porto Velho, mas só depois de certificar-se da presença do advogado de defesa, um dos acusados de chefiar a quadrilha, Fernando da Gata, se desvencilhou dos agentes policiais e respondeu à pergunta do repórter do site dono da segunda maior audiência no Estado, o primeiro é o rondoniaovivo, “quem é o chefe do bando?” com outra pergunta: “é o governador, vocês não sabem não?”. Foi o suficiente para que a audiência dos sítios alcançasse picos altíssimos, até o anúncio pela Polícia da prisão de “Beto Baba”, acusado também de ser um dos líderes da quadrilha.

Clareza– Ora, parece muito claro agora que o argumento de perseguição política do deputado afastado Hermínio Coelho caiu mesmo por terra, pois quando o depoente citou o cunhado do governador e um secretário-adjunto o interrogatório não foi suspenso. Pelo contrário, um rol com 90 perguntas, a cada um dos principais envolvidos continuou. A diferença é que, sob o olhar atento de seus advogados, os depoentes tentavam a todo custo imputar culpa a mais gente do chamado “núcleo de governo”. E logo no primeiro depoimento, o acusado de estelionato “Beto Baba” denunciou Assis e o auditor fiscal “Bocão” como intermediário de promessas de locação de camionetas para a campanha de Confúcio Moura, em 2010, em troca da garantia da conta de fornecimento de alimentação ao governo, bem como de um adiantamento de R$ 700 mil para o segundo turno do pleito.

Diferença abissal – Pois bem, a coluna não defende “a” ou “b”. Mas só não enxerga a diferença abissal entre os atos do deputado Hermínio Coelho, afastado de suas funções da Assembléia Legislativa por 15 dias, renováveis por mais 15 dias, embora tenha chorado – diz-se entre os beradeiros lágrimas de crocodilos – em suas últimas entrevistas nos veículos de divulgação, e as ações do governador Confúcio Moura quem não quer enxergar. Por exemplo, na presidência da Mesa Diretora o parlamentar assinava a nomeação de assessores indicados pelo crime organizado. No Palácio Getúlio Vargas, o terceiro governador eleito pelo PMDB na história recente do Estado de Rondônia, decidia, tão logo tomou conhecimento do fim das investigações, autorizando toda a logística e assumir o ônus político do cumprimento dos mandados de prisão expedidos pela Justiça, numa reação corajosa e de apoio incondicional às ações da polícia.

Reflexão – O Plano de Comunicação Institucional do TRT da 14ª Região, elaborado com a participação efetiva da equipe da Assessoria de Comunicação Social, é um documento que passa para a história dos quase 37 anos de criação do Tribunal. Alinhado às políticas nacionais de comunicação do Poder Judiciário e às estratégias estabelecidas no planejamento estratégico regional, com a participação de várias unidades do Regional, subsidiará estudos para o estabelecimento de diretrizes, objetivos e metas a serem alcançadas até 2017. O documento é composto pelas diretrizes gerais de comunicação no âmbito regional, pelos procedimentos de comunicação, com a definição do fluxo da informação e pelo mapa de contribuição que contempla a identidade da comunicação institucional (missão, visão e valores), e deverá inspirar mais instituições a fazer o mesmo, uma vez que torna possível prevê os objetivos de contribuição e o respectivo plano de ação para o alcance das metas setoriais. Como parte da metodologia de elaboração, validação e aprovação, a minuta do plano foi revisada pela APDI e Secretaria Geral da Presidência, submetida à apreciação dos gestores, devendo seguir agora para análise e aprovação do Tribunal Pleno e, posteriormente, encaminhado ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).

Fonte: Blog do BIDU / Abdoral Cardoso é jornalista (SRTE/RO Nº. 13)

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