Quarta-feira, 24 de junho de 2026 - 15h31

Uma imagem do Google
Terra da capital de Rondônia, traz à tona um debate crucial sobre o
planejamento urbano, a preservação ambiental e o patrimônio natural de nossa
cidade. No registro aéreo, é possível observar a região do Shopping Center, o
Parque da Cidade e, a sua direita, entre a Avenidas Sete de Setembro e a Vieira
Caúla, no círculo vermelho delimitando um verdadeiro tesouro escondido em meio
à malha urbana: uma área que abriga uma enorme fonte de água natural que jorra
ininterruptamente nas 24 horas do dia. Trata-se de um manancial de
primeiríssima qualidade que resiste ao avanço do concreto. Informações
preliminares indicam que a Prefeitura de Porto Velho já desapropriou, ou
manifesta a firme intenção de desapropriar, esse quadrilátero estratégico para
a execução de um projeto público.
Lembro-me de quando estive nesse lugar nos anos 80 e fiquei completamente
encantado com sua beleza singular. Na época, visitava uma propriedade que
possuía uma piscina natural, rodeada de pedras, de onde jorrava uma água
cristalina e gelada, proporcionando uma experiência inesquecível. O cenário era
de pura harmonia, com a natureza se impondo e revelando sua força e delicadeza
ao mesmo tempo.
Diante do potencial
ecológico incomparável desse espaço, precisamos começar a se mobilizar e a
lançar questionamentos fundamentais sobre qual será o real destino dessa área.
Ativistas e moradores sugerem que o município tem em mãos a oportunidade de
ouro de criar um santuário verde que mude o panorama urbanístico cidade. A
região bem que poderia ser transformada em um parque urbano nos moldes de
referências consagradas na Amazônia, como o renomado Museu Paraense Emílio
Goeldi ou o icônico Parque Rodrigues Alves, ambos localizados em Belém do Pará.
Esses espaços paraenses são reconhecidos nacionalmente como exemplos de beleza
por excelência, funcionando como verdadeiras obras divinas da natureza que
integram pesquisa, preservação de fauna e flora, lazer e educação ambiental no
coração de uma metrópole.
Além de sua importância ecológica, esse manancial poderia, por meio de
soluções técnicas adequadas, contribuir para abastecer e revitalizar o lago do
Parque da Cidade, hoje marcado por águas esverdeadas que preocupam os
frequentadores. Uma proposta a ser analisada é a ligação do córrego existente
entre o shopping e o parque, permitindo o aproveitamento racional dessa água
para melhorar a circulação, a qualidade ambiental e a beleza daquele espaço
público. Registre-se, ainda, que o ex-prefeito Hildo Chaves realizou quatro
visitas ao local, demonstrando conhecimento direto de sua relevância e de seu
potencial para uma intervenção ambiental de interesse coletivo.
Com base nesses
argumentos, torna-se imperativo que a população de Porto Velho observe bem de
perto e com máxima atenção o que se pretende construir ou implantar ali.
Intervenções mal planejadas ou que descaracterizem a pureza desse manancial
podem causar danos irreversíveis a um ecossistema que deveria ser protegido
como um legado para as próximas gerações. A transformação desse perímetro deve
ser guiada pelo interesse público e pela sustentabilidade, garantindo que o
jorrar contínuo dessa água limpa não seja sufocado por obras de finalidade
puramente burocrática ou comercial.
Para assegurar a total
transparência e a legalidade desse processo de intervenção urbana, faz-se
urgente que os órgãos de controle e fiscalização ambiental do Estado, bem como
o próprio Ministério Público, acompanhem de forma rigorosa cada etapa desse
projeto. A atuação do Ministério Público será fundamental para auditar os
termos da desapropriação, exigir estudos de impacto ambiental profundos e
garantir que qualquer intervenção respeite as diretrizes de preservação
hídrica.
Esperamos que esse
espaço ganhe a dignidade de um parque ecológico exemplar, e não Condomínio, e
apenas os olhos atentos da comunidade e a firmeza das instituições
fiscalizadoras possam garantir que o destino dessa fonte divina seja, de fato,
a preservação e o orgulho de Porto Velho.
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