Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

'The World Cup of yellow fever'


 
Professor Nazareno*

Feito o sorteio que decidiu os grupos e os jogos da próxima Copa do Mundo de futebol no Brasil, descobriu-se um técnico muito azarado. Roy Hogdson da Inglaterra afirmara dias antes que Manaus é uma cidade a ser evitada na Copa do Mundo de 2014 por conta do clima quente e da alta umidade relativa do ar. Em entrevista ao jornal londrino The Guardian, ele afirmou que preferia enfrentar um grupo da morte ou adversários fortes a enfrentar o clima da Amazônia. Foi “contemplado” com as duas desgraças de uma só vez: não só jogará em Manaus como terá que superar Uruguai, Itália e a zebra Costa Rica. Claro que muitos nativos manauaras ficaram enfurecidos com as declarações do técnico europeu. Porém, é bom que se diga: em momento algum ele foi grosseiro ou deselegante com os simpáticos habitantes amazonenses.

Roy Hogdson foi apenas verdadeiro, coerente e disse o que pensa, coisa que muita gente, por medo, conveniência ou hipocrisia não o faz. O abafado e desumano calor amazônico é coisa do satanás, convenhamos. Assim como a altitude dos Andes ou o frio intenso nos confins da Sibéria e também ao norte das ilhas britânicas. Esses climas extremos são propícios apenas à prática de poucos e selecionados esportes. No entanto, o desportista inglês foi extremamente educado e até minimizou os problemas que sua seleção e torcedores encontrarão na capital do Amazonas e também, em escala menor, em outras cidades do Brasil. Será que ele já ouviu falar em Malária, Dengue, Febre Amarela, Leishmaniose, Cólera, Esquistossomose, Tuberculose, Doença de Chagas, Lepra, Filariose Linfática, Oncocercose e outras terríveis doenças tropicais?

E qualquer um pode contrair uma dessas patologias. Assim como Porto Velho, a capital amazonense também é feia, suja, mal cuidada, fedida, podre, porca, imunda, violenta, deprimente, horrorosa, nojenta, de trânsito louco, mal administrada, longe de tudo e de todos, com ruas tortas, cheia de insetos e pernilongos, quase sem arborização, calorenta, fim de mundo, sem esgotos, cheia de dengue, malária e outras doenças tropicais, com igarapés sujos, fossas a céu aberto, infestada de lixo, ratos, urubus, bichos mortos, tapurus, bactérias, vírus e larvas. Compará-la a Londres, Genebra, Nova Iorque ou outra cidade civilizada, é uma indecência. Mas Manaus não é o problema e sim, o Brasil inteiro. Apesar de os amazonenses serem bons, hospitaleiros e um povo nota dez, o pobre coitado do técnico inglês nem imagina o que lhe espera por aqui.

Além das distâncias continentais que as seleções têm de percorrer, sabe-se que deslocar milhares de torcedores de uma cidade para outra e em pouco tempo é tarefa quase impossível levando-se em conta a infraestrutura precaríssima dos nossos atrasados aeroportos. Embora algumas cidades do sul do país apresentem um cenário mais otimista, os torcedores e turistas terão de conviver com assaltos, estradas esburacadas, transporte caótico, carestia, violência, exploração e toda a sorte de mazelas e desgraças. Muitos vão se arrepender de terem vindo. Aqui, quase ninguém fala nem entende o Inglês, mas somente um dialeto, uma espécie de “patois” parecido com a língua falada em Portugal e ininteligível para quem é do Primeiro Mundo. Porém, o pior de tudo é ver o Brasil ser campeão. Devíamos torcer pela Alemanha, Argentina, ou outro país mais civilizado. Quem não oferece uma boa estada aos outros e ainda assim organiza um evento com o sangue de sua população não merece ganhar nada. Copa do Mundo superfaturada, cara demais, desorganizada e perigosa. “Welcome to our hell”.

*É Professor em Porto Velho.
 

Mais Sobre Opinião

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.

Brasil,  192 anos dos Cursos  Jurídicos  Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

Brasil, 192 anos dos Cursos Jurídicos Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigual