Segunda-feira, 9 de março de 2020 - 11h25

O
Diretório Central dos Estudantes – DCE, da Universidade Federal de Rondônia –
UNIR, realizará na próxima terça-feira, 10 de março, a partir da 19h, o
Seminário intitulado “A LUTA DE CLASSES E A QUESTÃO FEMININA NA ATUALIDADE”. O
evento propõe debater e denunciar a violência cotidiana contra as mulheres no
campo, os processos de resistência das mulheres no campo e na cidade, além de
celebrar o 8 de março como data histórica do dia internacional da mulher
proletária. O formato do evento é de mesa de debate com mulheres indígenas,
camponesa e estudantes, além de pesquisadores que abordam a temática. Após a exposição
inicial haverá espaço para perguntas, intervenções e debate. Os organizadores
do evento emitirão certificado de participação aos presentes ao final da
atividade.
HISTÓRICO DO 8 DE MARÇO
Uma
data especial celebrando a luta de resistência da mulher proletária, da mulher
das classes oprimidas e exploradas em todo o mundo, foi proposta por Clara
Zetkin — dirigente do Partido Comunista da Alemanha e da Internacional — na
Conferência de Mulheres Socialistas realizada em Copenhague (Dinamarca) em
1910.
A
Conferência tratava da luta ideológica e política do proletariado e das demais
classes oprimidas e exploradas no caminho da revolução socialista e, de maneira
particular, da importância da participação massiva das mulheres proletárias
nesta luta. A proposta de criação de um dia especial a ser celebrado
internacionalmente, portanto, representava o crescimento da luta operária e do
povo em todo o mundo e a crescente presença da mulher nesta luta naquele
momento.
Desta forma, o Dia Internacional da Mulher Proletária foi
idealizado e votado pelas militantes do movimento feminino popular e
revolucionário a partir da concepção revolucionária da luta pela emancipação
feminina. Ou seja, que a libertação da mulher só é possível com a libertação de
toda sua classe, e que esta libertação é obra das próprias mulheres das classes
oprimidas e não uma concessão das classes opressoras. Por isso as militantes do
movimento feminino popular e revolucionário não falam de nenhuma maneira de um
movimento de todas as mulheres, não propõem a conciliação de classes.
Para
essas militantes revolucionárias, ao contrário do que afirma o feminismo
burguês, o Dia Internacional da Mulher refere-se às mulheres proletárias e das
demais classes oprimidas, como as camponesas e a intelectualidade progressista,
as estudantes e professoras, o que, longe de restringir o universo feminino,
representa a imensa maioria das mulheres em todo o mundo: metade da imensa
população mundial de operários, camponeses e trabalhadores explorados e
oprimidos pelo imperialismo.
A utilização desta data pelo feminismo burguês é combatida pelas
proletárias, pelas mulheres do povo da cidade e do campo que trabalham sob o
chicote dos homens e mulheres da burguesia e do latifúndio. É combatida e
denunciada como traição e usurpação a atitude desavergonhada de deputadas e
"personalidades" da esquerda oportunista e suas organizações
feministas que se comprazem em sentar-se à mesa com empresárias, latifundiárias
e policiais no seu falsificado dia de todas as mulheres.
Cada
vez mais as classes dominantes, através dos monopólios de comunicação, se
esforçam para transformar o 8 de março em mais uma data comercial. Com suas
manipulações e demagogias grosseiras de glorificar "a importância da
participação da mulher", na verdade estendem ainda mais o manto da
opressão feminina na tentativa de sua perpetuação.
A
celebração do 8 de março se tornou uma das mais fortes tradições do movimento
popular, revolucionário e comunista em todo o mundo e um dos mais importantes
símbolos da luta de libertação da classe operária e de todos os oprimidos da
terra.
As origens e a tradição
As
duas versões mais conhecidas do fato histórico que teria levado as militantes
comunistas na Conferência de Mulheres Socialistas a eleger o dia 8 de março
como o Dia Internacional da Mulher Proletária são:
1) Uma
manifestação espontânea — levada a cabo por trabalhadoras do setor têxtil da
cidade de Nova York, em protesto contra os baixos salários, contra a jornada de
trabalho de 12 horas e o aumento de tarefas não remuneradas — foi reprimida
pela polícia de uma forma brutal (8 de março de 1857). Muitas jovens
trabalhadoras foram presas e algumas esmagadas pela multidão em fuga. Cinquenta
anos mais tarde, no aniversário dessa manifestação, esse dia é declarado, em
sua memória, o Dia Internacional da Mulher." (Temma Kaplan, On the
socialist origins of International Women’s Day, Feminist studies 11, n.º 1,
1985, p. 163)
2) O
Dia Internacional da Mulher Trabalhadora é considerado como uma jornada de luta
feminista em todo o mundo em comemoração do dia 8 de março de 1908, data em que
as trabalhadoras da fábrica têxtil ‘Cotton’, de Nova York, declararam greve em
protesto pelas condições insuportáveis de trabalho. Na sequência disso,
ocuparam a fábrica e o patrão prendeu-as lá dentro, fechou todas as saídas, e
incendiou a fábrica. Morreram queimadas as 129 trabalhadoras que estavam lá
dentro. (Victória Sal, Dicionário ideológico feminista, 1981).
Outras
referências históricas:
3) A
primeira celebração do Dia Internacional da Mulher aconteceu a 19 de março de
1911, na Áustria, Alemanha, Dinamarca e Suécia.
4) Em
1914 o Dia Internacional da Mulher comemorou-se pela primeira vez a 8 de março
na Alemanha, Suécia e Rússia.
5) A
8 de março de 1917, as mulheres russas amotinaram-se devido à falta de
alimentos, acontecimento este fundamental para o início do movimento
revolucionário que viria a concretizar-se na chamada Revolução de Outubro, e
que marcaria definitivamente, até a atualidade, o dia 8 de março como o Dia Internacional
da Mulher. (Informações: On the Socialist Origins of International
Women’s Day retiradas de Ana Isabel Álvarez González (1999), Los
orígenes y la celebración del Día Internacional de la Mujer, 1910-1945. KRK —
Ediciones Oviedo.)
Todas
essas informações fornecem alguns dados discrepantes, porém o que há de comum
nelas é o fato de se referirem a lutas operárias, marcando claramente o caráter
de classe do movimento 8 de março.
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