Quarta-feira, 1 de janeiro de 2014 - 08h59
Por Humberto Pinho da Silva
Há rifão, bem antigo, que diz: “Cada um dança segundo os amigos que tem na sala “ : Rodrigo Lobo, regista-o na “ Corte na Aldeia”.
E rifões, no parecer de D. Francisco Manuel de Melo, são “ verdades que a experiência, suma mestre das artes, pronunciou pelas bocas do povo”.
Quem tem amigos sempre ou quase, alcança o que quer. Lembra e bem, Pª Manuel Bernardes, na “ Nova Floresta” , que: discreto arrolava entre os numerosos bens, os amigos.
Buscam alguns, para amigos, os poderosos e influentes, desprezando os humildes, olvidando o célebre apólogo das duas panelas de Esopo, utilizado magistralmente pelo Pª Manuel Bernardes.
Nas agruras da vida, e sempre as há, o forte triunfa, e a panela de barro é que quebra.
Devem, portanto, ser os amigos semelhantes em tudo. Não necessariamente iguais, em fazenda e poder, mas que não haja grande diferença.
Os poderosos costumam ter muitos amigos. Job também os tinha, mas pobre e doente, escapuliram-se.
Estando em amena cavaqueira com conhecido político, confessou-me que ao retirar-se, muitos que o visitavam, amiudadamente, espaçaram encontros. “Porquê?” - perguntou-me, entre risos , - “já não lhes podia fazer jeitinhos…”- respondeu.
Aconteceu o mesmo a Camilo. Empobrecido, enfermo, quase cego, viu-se abandonado por muitos que o acompanharam nas horas de alegria.
Certa ocasião abracei, efusivamente, gestor que caíra em desgraça, por motivos políticos, em local muito frequentado. Atónito, voltando-se para mim, declarou: - “ Não tem receio de o fazer? Amigos e correligionários viraram-me a cara “ .
Marcelo Caetano sentiu o mesmo no exílio, e o que lhe doía mais era a ingratidão daqueles a quem fizera bem.
Termino com a opinião de minha querida amiga D. Cândida Pacheco - velhinha muito bonita e simpática, - que por sua vez escutara-a da boca do avô: “Menina: se um dia caíres na rua, não penses que são os ricos que te vão levantar, mas os que usam tamancos e chinelas.”.
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