Porto Velho (RO) sexta-feira, 23 de agosto de 2019
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OBESIDADE - Gente de Opinião

Em sua opinião, qual a relação do aumento de peso dos casais após o casamento com o desempenho duvidoso na atividade laborativa? Você acha que tem alguma? Ou estou ficando louco? Confesso que quaisquer umas das respostas podem ser verdadeiras. Vamos aos fatos.

Estava assistindo o programa, no mais novo canal da TV aberta brasileira, a Record News, que se tornou uma opção importante para mim, Momento Mulher. O assunto era porque os casais engordam após o casamento. Os motivos são infinitos, mas há alguns interessantes, mas antes vamos a uma retrospectiva. Quando estamos solteiros, ou seja, estamos no mercado, a vontade, os sacrifícios para se manter recrutável e selecionável, ou em condições de recrutar e selecionar a tão sonhada “cara metade” são tirados de letra. Vale tudo. Desde freqüentar academias, levantar as cinco da manhã, para manter a forma. Chegamos ao cúmulo de passar fome, tudo para não mostrar os pneus e a celulite. Segundo a matéria, as mulheres chegam a perder quantidade incríveis de gordura somente para poder caber no vestido de noiva. Até aí tudo bem. Nesse rítmo, a expectativa de vida passa dos cem anos.

O problema é depois do casamento. Você já foi escolhido ou escolheu. Não precisa mais tantos esforços para atrair a “alma gêmea”. É aí que começa a corrida ao, quase irreversível, aumento de peso. Para isso vale tudo.

Além da pré-disposição natural de engordarmos, ainda há fatores como agradar o cônjuge, a famosa técnica de “prender pela barriga”. Além disso, o aumento das atividades seja no trabalho, em casa e na escola, fazem sumir aquele...lembram? aquele tempo disponível para se manter recrutável e selecionável, quando estávamos no mercado, solteiros. Pois, sumiu. E quando os filhos chegam? Começam aparecer sobras de mingau... um perigo para a silhueta. Mas, já estamos casados. Relaxa e goza, como disse uma certa ministra. E aí os problemas de relacionamento começam a aparecer. Geralmente, acompanhados pelos problemas de saúde. Seguido das finanças escassas, em função dos gastos com médicos, remédios, ora para emagrecer, ora para controlar a diabetes, e outras doencinhas. E... pronto.

A reportagem ainda frisou o seguinte: quando os dois engordam na mesma proporção, há um certo equilíbrio, pois não há referência, ou seja, um magro. Menos mau.

Bom, e qual a relação disso com o mundo corporativo? O nosso emprego de cada dia? Esse que está com o dias contados?

É sabido que sempre desejamos um salário gordo, mas muita gente ainda confunde engordar o salário com aumento da barriga. Que, na verdade, é um fator importante, se não o único importante, em alguns casos, aliado a bela silhueta, na busca da cara-metade.

A exemplo de quando somos solteiros, a condição de desempregado segue ritos parecidos. Para sermos recrutados e selecionados para um emprego, cuidamos do corpo, adquirimos conhecimento, nos mostramos, contamos do que somos capazes de fazer. Ao invés dos famosos bilhetinhos para as incautas, enviamos currículos aos empregadores (esse também não é mais nenhuma vatagem competiviva, exceto se você ofercer soluções para a empresa destinatária). Mas o objetivo é o mesmo: casar, só que, com uma empresa, a popular “gata”.

No caso dos profissionais de concurso público, o esforço é dobrado. Cursinho, alta carga horária de profundos estudos. O sacrifício da balada. Até a “gata” fica em segundo plano. O importante primeiro é casar com a “gata a empresa, depois procurar a “gata”, a “alma-gêmea”. Uma depende da outra. Quando encontramos primeiro a “gata”, a “cara-metade”, essa serve de motivação para procurar a outra “gata”. Calma. Essa é a empresa. Afinal, uma depende da outra. Quando somos solteiros, a empresa nos dá condições para recrutar e selecionar uma companheira, a “gata” e depois para sustentá-la. Isso, com a evolução da mulher no mercado de trabalho, da sua independência social, a recíproca é verdadeira. Haja “gato”.

Já vimos que quando casamos, com a “gata”, “cara-metade”, temos enorme tendência de engordarmos. E quando casamos com a empresa? Em princípio, dependendo do esforço, a tendência é relaxar. Assim como no casamento. Ninguém segura um pique desses por muito tempo. Já realizamos o sonho: encontrar as “gatas”. Agora é só pegar de uma para gastar com a outra. De preferência com comida. Tem coisa melhor do que comer? Mas, o problema não é comer, é o que comer.

Devidamente admitido, principalmente em empresas públicas, a ordem mesmo é relaxar: “Agora estou realizado! Tenho o emprego (“a gata”) dos meus sonhos!” E aí começa o processo de engorda corporativo. Aumento de atividades deixadas de serem feitas. Pelo menos da forma que deveriam ser feitas. Pois a ordem é ter a qualidade de vida. Afinal, trabalhar tem limites. E a “gata”? “Depois de tanto esforço vou deixa-la sozinha? Nada disso. A empresa fica e eu morro. O negócio é aproveitar!” Um modelo mental interessante, mas só interessa ao empregado e a sua respectiva “gata”. Porque para o dono ou o responsável pela “gata”, a pagadora, não é bem assim.

Assim como no casamento, temos a tendência de parar de fazer exercícios físicos. E essa prática é fundamental para os dois casamentos: com a “cara-metade” e com a “pagadora”. Senão, deixaremos a desejar nos dois. Só que na empresa, o atestado médico resolve. Às vezes, até com a ajuda de um médico amigo. Já em casa, o negócio não é bem assim.

Fazer coisas novas nos casamentos, nem pensar. “Chega! Estou estabilizado! Agora é só curtir. O que recebo de uma, gasto com a outra. Muito justo!” Com o aumento das exigências de uma procuramos outra que paga mais. Está formado o círculo virtuoso ou vicioso. Você decide!

É quando paramos de estudar? E ái o “bicho pega”, pois só aumenta a gordura, em todos os aspectos. Mas a principal é a ignorância, que deixa a cabeça vazia, enquanto que a outra entope as veias. Não dá mais para parar de estudar. É única forma de pelo menos salvar um dos casamentos, com a “gata” que paga, também, muito exigente, e essa quando se zanga, não tem choro nem vela, é RUA mesmo. E quem sofre muito com isso é a outra “gata”, a que gasta.

A gordura corporativa é a construção de uma imagem negativa, que nos impedirá de fazer carreira. Quando relaxamos no trabalho, mesmo no serviço público, corre-se um certo perigo. As coisas não estão tão seguras assim. O nosso povo, mesmo aceitando as anomalias políticas, estão cobrando melhores serviços públicos. As agências reguladoras também, não tanto quanto deveriam, mas é um avanço. Além do mais, o fantasma das privatizações ainda não foi embora. Do jeito que o “viajante” gosta de dinheiro, não vai demorar muito assumir a herança do outro, também, “viajante”, o ex.

Imagine em uma empresa privada. Quanto mais o nosso nome for citado acompanhado de uma reclamação... aliás, as reclamações contra nós é que são as gorduras que podem nos “matar” ou pregar grandes sustos. Isto é, perdermos o nosso tão sonhado emprego. Isso é a falência do casamento corporativo. A rescisão é a certidão do divórcio. Dificilmente tem volta. A empresa nos libera para tentar vida nova com outra. “É, não deu. Incompatibilidade de gênio.” E o mercado está cheio de gente como nós, quando estávamos no mercado. Aliás, muito mais cheio do que pensamos. Cheio de saúde, vontade, sonhos. Só pensávamos nos casamentos: com a “gata” com que gastar o dinheiro vindo da outra “gata”. Dificilmente, nos preparamos para suportar a demissão dos dois casamentos. Quando a acomodação é muito grande corremos o risco de sermos demitidos, simultaneamente, dos dois casamentos. Mas há uma compensação, se é que podemos chamar assim: não recebe, mas também não gasta. A vida sem “gatas”! Um sonho ou um pesadelo? Mas a vida não acabou. Precisamos viver e nos preparar para encontrar outras “gatas” e entrar num novo ciclo.

Na verdade, acontece também o contrário, pois é comum encontrarmos as duas “gatas” simultaneamente. Mas devemos lembrar que as duas são muitos exigentes. E que devemos manter o mesmo pique: agora não mais para encontrar outras, mas para mantê-las, saudáveis, magras, compreensivas, incentivadoras, provedoras, aconchegantes, inovadoras, sustentáveis, lucrativas, lindas, responsáveis socialmente, visionárias, empreendedoras, eficazes, eficientes, organizadas, fortalecidas, mutantes, verdadeiras, transparentes, éticas, profissionais, humanas, realistas...

Mas se você não lutou por nenhuma das duas “gatas” citadas acima, cuidado, sua tendência de se tornar obeso é altíssima. E não se esqueça, ELAS SÃO MESMO MUITO EXIGENTES.

Manter-nos saudáveis é MUDAR PARA VIVER MELHOR
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