Quarta-feira, 15 de outubro de 2025 - 09h30

Se
você tem sessenta anos ou mais sabe do que eu estou falando. Antigamente, o
professor era uma figura admirada e respeitada pelos alunos, pelos país dos
alunos e pelas autoridades. Hoje, o professor é desrespeitado por quase todo
mundo, mas, principalmente, por governantes, que o veem como um coitadinho, que
é obrigado a fazer bicos em várias escolas para completar a renda do mês,
alguém que só é lembrado às vésperas e durante as eleições por caçadores de
votos. Essa figura extraordinária, cuja palavra, no passado, tinha força e
poder, já foi chamada de mestre-escola, o mestre de primeiras letras, ou,
então, o mestre de meninos, até chegarmos aos professores universitários e
doutores de hoje, não importa o nome que se lhe dê, a missão é uma só: garantir
a conservação das artes e o progresso das ciências pelo ensino e pela pesquisa,
preparando os jovens de hoje para serem os homens e as mulheres de amanhã.
Sou
do tempo em que a palmatória e o carroço de milho eram usados como ferramentas
pedagógicas. Quem não sabia a lição recebia uma quantidade de bolos. Primeiro
na mão direita. Depois na esquerda. Quando o aluno chegava em casa, com as mãos
inchadas, tinha que explicar o motivo aos país ou responsáveis e, de quebra,
ainda pegava uma surra. Os valentões, do tipo faço e arrebento, que ficavam
bagunçando, não prestavam atenção a aula, e ainda atrapalhava os colegas,
ficavam de joelho em carroço de milho, de frente para a parede. Nem por isso
ninguém morria. E não me venha com essa história de que isso é desumano, uma
crueldade. Crueldade é um moleque entrar em uma escola, matar o professor,
colegas e ferir outros tantos. Isso sim é que é desumano. Depois, é mandado
para um desses centros de recuperação, cuja maioria não recupera ninguém, passa
uma temporada e, quando sai, geralmente sai pior do que entrou. Os exemplos
estão aí para quem quiser vê-los.
O
resultado disso é o que acompanhamos nos jornais e nas mídias e redes sociais.
Deus é o grande ausente de muitos lares. A educação familiar praticamente
desapareceu. Muitos país simplesmente deixam seus filhos na escola e
exigem que o professor assuma a responsabilidade de educá-los visando sua
formação moral, ética, espiritual, de cidadania, autoestima, entre outros
valores, uma tarefa única e exclusivamente deles. Depois, ficam procurando
bodes expiatórios na tentativa de justificar o injustificável. Bons tempos eram
aqueles da palmatória e do carroço de milho.
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