Quinta-feira, 8 de agosto de 2024 - 11h22

Altruísmo.
Eis aí uma expressão que não existe no vocabulário da maioria dos políticos brasileiros.
Acha que o parlamentar (senador, deputado federal ou estadual) vai ajudar o
chefe do executivo apenas por afinidade ideológica, doutrinária, interesse
social ou coisa do gênero, desinteressadamente, sem receber nada em troca, é pura
balela. Os exemplos estão aí para quem quiser vê-los.
Senadores
e deputados podem opinar e influir na destinação de recursos públicos para viabilizarem
obras e projetos em seus estados e municípios e, com isso, ampliarem seus
redutos eleitorais. E isso ocorre geralmente por meio de um mecanismo chamado
emenda parlamentar, quando o Congresso Nacional discute o Orçamento Anual.
Para se
ter uma ideia, entre janeiro e abril deste ano, o governo do presidente Lula
liberou quase R$ 14 bilhões em emendas parlamentares. Essas autorizações
geralmente ocorrem às vésperas de votações importantes, quando o governo usa a
liberação de emendas como instrumento de barganha, ou, como é mais conhecido no
mundo político, a tática do “é dando que se recebe”, ou seja, parlamentares dão
ao governo os votos de que ele precisa para fazer passar seus projetos no
Congresso Nacional, ainda que algumas dessas medidas redundem no pagamento de
mais impostos para a sociedade e, em troca, são contemplados com a liberação de
recursos federais para investimentos em suas bases.
Sejamos
pelo menos originais. Politico tem mais é que carrear recursos para seus
estados e municípios. Quem assim procede, não está fazendo mais do que sua
obrigação. Afinal, foi para isso que ele foi eleito, certo? Não quero com isso,
contudo, sentenciar à extinção a virtude da gratidão, mas também não precisa tanta
bajulação só porque um senador ou deputado federal conseguiu dinheiro para
construir uma escola, um posto de saúde ou mesmo asfaltar uma rodovia.
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