Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 - 08h00

O Martírio silencioso e a Urgência de ver e atuar
Um relógio humano marca, a cada onze segundos, uma mutilação genital feminina no mundo. Este não é um dado estatístico distante mas sim o ritmo de um sofrimento profundo que tece silêncios em pleno século XXI. Quanta mulher destruída e quantos traumas como marcas da vida. Imagine-se a barbaridade que os outros animais na qualidade de irracionais não fazem? Enquanto Estados se concentram em indicadores económicos e conflitos geopolíticos, uma violação íntima e brutal contra milhões de mulheres e meninas persiste, muitas vezes à sombra de tradições ou da indiferença. Quando chegará o dia em que o Homem e a política se concentrem em curar as feridas humanas?
Em sociedades de matriz predominantemente masculina, os problemas existenciais das mulheres são frequentemente relegados para as franjas da discussão pública. A mutilação genital feminina (MGF) é talvez o exemplo mais cristalino desta cegueira seletiva. É imperativo que este tema saia da zona do tabu e entre na esfera da ação coletiva e da consciência emocional. Tabus silenciados endurecem as vidas.
A Anatomia de um Sofrimento oculto
As meninas, muitas vezes antes dos cinco anos, têm os seus órgãos genitais externos amputados, sem anestesia, em condições barbáries e precárias. A escala da violência varia: do corte do clítoris à extração total dos órgãos e à subsequente costura da abertura vaginal (infibulação). Isto implica um procedimento com consequências devastadoras para toda a vida...
Este crime não conhece fronteiras. Trata-se de um drama transnacional: famílias que viajam de férias para a Somália, Eritreia ou Djibuti... e regressam com as suas filhas mutiladas. Em 2022, estimava-se que 15.000 meninas na Alemanha estavam sob ameaça iminente de sofrer esta violência...
Ver a Pessoa para além do Número
Um pouco de humanismo exige que ouçamos os detalhes que os números silenciam, como testemunhou Ibrahim Ishaq Hussein em Kassel: em família, os rapazes crescem a normalizar o sofrimento das mulheres, pois acham normal que mães, irmãs e avós demorem tempos intermináveis na casa de banho e vivam com dores constantes...
Entre a Tradição e a Lei: O Caminho para a Proteção
Contudo, o respeito cultural não pode ser uma capa para a barbárie... Se uma menina de cinco anos com mutilação genital chegar a um hospital, o silêncio dos profissionais não pode ser uma opção. Aqui, os professores também deveriam estar atentos, atendendo a que há cada vez mais pessoas que vêm de culturas em que essas práticas são comuns.
Felizmente, há luz na escuridão. Em Kassel, centros como a Mädchenhaus e o departamento de saúde da cidade trabalham há anos contra este ritual, oferecendo proteção e aconselhamento especializado. A lei alemã deu um passo crucial: desde 2013, o §226a do Código Penal pune a mutilação genital feminina com, no mínimo, um ano de prisão, classificando-a juridicamente como agressão física grave...
O Desafio para Portugal e para a Europa é não fechar os Olhos
A pergunta que se impõe é: As autoridades portuguesas, e europeias em geral, estarão preparadas para lidar com esta questão? Fazer vista grossa é cumplicidade. Fechar os olhos na Europa é fomentar a barbárie dentro das nossas fronteiras, sob o falso pretexto do relativismo cultural...
Proteger os mais fracos e entre eles, as crianças, é um imperativo civilizacional universal que exige: legislação clara e aplicada; formação especializada para profissionais; apoio e proteção às meninas em risco e às suas famílias e campanhas de sensibilização dentro das comunidades...
Urge que este tema saia da sombra e entre na luz da ação política, do debate público e da proteção humana...
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=
VIOLÊNCIA CONTRA PROFISSIONAIS DE SAÚDE ATINGE NÍVEIS ALARMANTES NA ALEMANHA
A violência física e verbal contra médicos e enfermeiros está a aumentar de forma preocupante na Alemanha. De acordo com um recente inquérito do Jornal Médico Alemão, dois terços dos médicos inquiridos reportaram já ter sido vítimas ou assistido a violência física ou verbal, no local de trabalho. Os episódios são particularmente frequentes em serviços de urgência e consultórios, tornando-se um risco ocupacional crescente...
Pacientes enfrentam dificuldades para marcar consultas, seja com médicos gerais ou especialistas como ortopedistas e cardiologistas, sendo a situação mais crítica nas urgências. A percepção de que utentes particulares têm acesso facilitado agrava a sensação de desigualdade e desamparo entre a população geral...
Num país que faz propaganda da guerra, procurando tornar pessoas 'aptas para a guerra', o aumento significativo da disponibilidade para usar violência é uma consequência visível...
A combinação fatal de um sistema de saúde sob pressão, com longas esperas e escassez de profissionais e um clima social onde a coesão se degrada, está a criar um ambiente perigoso para quem trabalha no setor e em outros sectores públicos...
António da Cunha Duarte Justo
Texto completo em Pegadas do tempo: https://antonio-justo.eu/?p=
AVALIAÇÃO DO RESULTADO DAS ELEIÇES PRESIDENCIAIS EM PORTUGAL 2026
António Seguro vence Presidenciais e PS recupera Fôlego - Ventura cresce e fragmenta o Bipartidarismo
A segunda volta das eleições presidenciais de 2026, realizada no passado domingo, confirmou a vitória de António Seguro com uma expressiva maioria de 66,81% dos votos expressos. O candidato apoiado pelas principais forças políticas e pela esmagadora maioria dos media alcançou 3.482.481 votos, contra 1.729.371 do adversário André Ventura (33,18%).
Apesar do resultado folgado, os dados da participação eleitoral trazem sinais inquietantes para o sistema partidário português. A abstenção fixou-se nos 49,91% e revelou-se como o valor mais elevado de sempre numa segunda volta de presidenciais. Dos 10.951.081 eleitores inscritos, 5.466.212 não compareceram às urnas.
O “Silêncio ruidoso” de quem votou contra ambos
Entre os 5.484.869 votantes, 271.520 eleitores (4,95% do total) optaram por não escolher nenhum dos dois finalistas. Foram registados 97.724 votos nulos (1,78%) e 173.823 votos em branco (3,17%). Os números traduzem aquilo a que se poderia chamar de “terceira via do silêncio ruidoso”, ou seja, um protesto activo de quem foi às urnas para rejeitar ambas as candidaturas.
Ventura rompe o Sistema bipolar partidário e consolida Espaço próprio
Candidato único na segunda volta, André Ventura conseguiu mobilizar mais de 1,7 milhões de eleitores, o que representa um crescimento significativo face aos resultados do CHEGA nas últimas legislativas. O feito repõe a geometria do sistema partidário português: PS, CHEGA e PSD que se posicionam agora como as três forças com maior expressão eleitoral no país.
Para Ventura, o resultado representa a rutura definitiva com o tradicional duo-partidarismo. Apesar da derrota, a sua votação expressiva valida a estratégia de afirmação autónoma e consolida-o como líder de um polo político com capacidade de influenciar o equilíbrio de forças nos próximos ciclos eleitorais.
O “Balão de Oxigénio” de Seguro e a Armadilha da Governação
A vitória de António Seguro é lida internamente como “o balão de oxigénio de que o PS precisava”, num momento de desgaste partidário e de indefinição estratégica. No entanto, o novo Presidente da República encontra-se numa posição delicada. Eleito com o apoio de todo o arco da governação e dos grandes grupos de comunicação social, Seguro enfrenta agora a difícil equação entre dar continuidade ao status quo e responder à evidente necessidade de renovação política.
A ambivalência promete marcar o seu mandato. Se a vitória expressiva lhe confere legitimidade, o contexto que a rodeia, abstenção recorde, divisionismo partidário e uma fatia significativa de eleitores a recusar os dois campos, mostra que o descontentamento não foi desarmado, sendo apenas transferido.
A Ausência de Metade do País é um Pesadelo que não passa
O dado mais estrutural da noite eleitoral é, porém, a abstenção. Cinco milhões e meio de portugueses ficaram em casa. É o maior acto de questionamento silencioso ao regime democrático português desde 1974. O resultado deveria causar pesadelo ao sistema partidário e à forma como as elites, especialmente os Media, conduzem o povo.
Mais do que a vitória de um ou de outro, foi a ausência coletiva que deu a verdadeira dimensão do descontentamento. E o problema não promete ficar por estas duas voltas porque é sistémico.
António da Cunha Duarte Justo
Pegadas do Tempo: https://antonio-justo.eu/?p=
Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
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