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GESTÃO DA ÁGUA


 

Em vista do tanto que já se falou sobre a questão da água doce, sua utilidade na saúde e seu papel estratégico no mundo, meu objetivo é focalizar três medidas fundamentais, que consideram a prerrogativa brasileira de contê-la em abundância. A prioridade está em direcionar investimentos em recursos hídricos para a região nordeste, criar uma política de proteção deste patrimônio no âmbito do Mercado Comum do Sul (Mercosul), e melhorar o gerenciamento da abundância de água que o Brasil possui.

Alardeia-se que o problema é a escassez de água doce, como se a quantidade deste recurso tivesse diminuído, e a previsão de que ela será motivo para os próximos conflitos e guerras internacionais, cujo recurso se disputa tanto quanto o petróleo. A luta por recursos naturais é antiga na história da humanidade, ainda que 70% do planeta sejam compostos de água. A desvantagem é que somente 2,5% desta porcentagem são de água doce, que está em lagos, rios, geleiras, reservas subterrâneas, chuva.

O Brasil é o país mais invejado nessa história, pois contém 13% das reservas planetárias de água doce. Estes dados deixam-nos aliviados quanto à previsão de carência global deste recurso, embora haja o risco de contaminação e de cobiça pelos países que sofrem escassez. Não adianta, entretanto, que o Brasil tenha a maior reserva de água doce do mundo se o uso for inapropriado, por exemplo, com indústrias poluindo os lençóis freáticos através do despejo irresponsável de substâncias no solo e nos rios.
 
O aquífero Guarani é uma fonte de água subterrânea que tranqüiliza os quatro países do Mercosul contemplados pela reserva, cuja área é de mais de 1,2 milhões de km². Dois terços estão no Brasil (Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), e o restante, em Argentina, Paraguai e Uruguai. Este recurso natural dá um impulso estratégico à nossa região para as necessidades do século atual.

Os principais prejudicados são os que têm porções territoriais desérticas, como a África setentrional, e os que demandam maior consumo devido ao aumento populacional e expansão industrial vertiginosas, como China e Índia. As alternativas são caras, mas começam a ser realizadas: aproveitamento de geleiras, dessalinização de água do mar, captação de água de chuva, apropriação de estoques subterrâneos, reuso de água por tratamento sanitário.
 Para que a água não seja problema, é preciso melhorar a administração da quantidade enorme disponível no Brasil pela gestão pública, evitar a contaminação pela conscientização do uso (residencial e industrial), reduzir o desperdício pelo hábito. A solução é mais eficaz se houver investimento em sistemas de irrigação e distribuição hídricas no nordeste brasileiro, região mais afetada pela seca, e a gestão do aquífero Guarani dentro da integração entre os quatro países limítrofes.
 
O mundo engaja-se em busca de alternativas para a escassez de água doce. Por sua vez, a única escassez que o Brasil pode temer é a de uma gestão eficiente do recurso hídrico, que temos a bênção de possuir em abundância. As medidas não dependem somente dos céus.

Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais pela UNESP

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