Domingo, 15 de maio de 2016 - 09h01

247 - O cantor e compositor Caetano Veloso endossou as críticas de artistas e intelectuais brasileiros à decisão do presidente interino Michel Temer de extinguir o Ministério da Cultura. Em artigo no jornal O Globo deste domingo, Caetano diz que a extinção do MinC é ato "retrógrado".
"Depois de já haver, oportunisticamente, desistido de diminuir o número de ministérios, Temer, premido pela má repercussão da notícia, voltou a fazer o que a maioria dos brasileiros, acertadamente, quer: enxugar a máquina administrativa, na crença de que, assim, faz economia e livra-se do toma-lá-dá-cá. Na verdade, o peso econômico é pífio e as escolhas dos novos ministros não apontam para um critério técnico e meritocrático. Seria uma beleza se um presidente peemedebista nos livrasse do vício da distribuição "política" de cargos. Mas nossa oficialidade não vive de belezas", escreve o cantor.
Caetano Veloso reforça que a redução de ministérios não tem impacto significativo na economia e aponta avanços realizados pelo MinC. "O Ministério da Cultura mostrou-se necessário ao Brasil. Hoje temos estudos e projetos brasileiros como referência em organizações internacionais que tratam dos problemas dos direitos autorais em ambiente digital. Somos (ou tínhamos sido) pioneiros na luta em defesa dos criadores, que se viram sem saber o quê, como, quanto e quando receberão pela divulgação de sua obra em plataformas de streaming", afirmou.
O músico rebateu ainda as críticas de que o ministério estava "partidarizado" e que os artistas dependem do governo. " Os artistas que se sentem atraídos pelo histórico do PT, o mais duradouro e estruturado partido de esquerda do mundo contemporâneo, não são dependentes de governo. Eu não sou dependente de governo. Tenho minhas opiniões próprias e exibo as contradições de minhas buscas", afirmou.
Leia na íntegra o artigo de Caetano Veloso.
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