Sábado, 3 de maio de 2025 - 08h15

A corrupção faz parte da história do homem desde que o mundo
é mundo. Ela alcança qualquer regime político, porém é muito pior nas
ditaduras, nos regimes autoritários, nas estruturas fechadas, porque a
informação é sufocada com rigor, sempre no interesse do poder. A sociedade dificilmente
não toma conhecimento dos fatos e a verdade quase nunca aparece. Já na
democracia, porém, a corrupção aflora. Nem sempre na dimensão real, mas, pelo
menos, é possível identificar o seu rastro.
Com os órgãos de fiscalização (Policia Federal, Controladoria
Geral da União, Ministérios Públicos Federal e Estadual, Tribunais de Contas da
União e Estaduais, Receita Federal) cada vez mais afinados, é possível mapear o
quadro aqui e ali, até chegar no tumor purulento, quando, então, entram em
campo a internet (que vem dando um banho de informações na mídia oficial), divulgando
os fatos em tempo real, evitando, assim, o processo de metástase, que dominaria
por inteiro o tecido social. Repare-se o escândalo do INSS. Começou com uma
matéria do jornalista Luiz Vassalo, do portal Metrópole. Só depois a chamada
grande mídia se interessou pelo caso, quando a roubalheira já tinha superado os
R$ 6 bilhões, surrupiados das contas de aposentados e pensionistas.
No Brasil, a corrupção, além de preocupar, assusta. Senão
todos, mas, com certeza, a grande maioria da população. Aqui, a roubalheira tornou-se
compulsiva. E as evidências apontam para isso, contudo, as punições aos que
dilapidam o erário, na maioria dos casos, não correspondem à gravidade dos
crimes cometidos. Ao contrário, servem como estímulo aos que se consideram
intocáveis.
A sanção penal e política, quando, eventualmente, ocorre, não
atemoriza e, assim, não consegue conter a prática viciosa. Alguns processos
levam anos para serem julgados, tantos são os recursos interpostos, com a intenção
deliberada de empurrar o caso com a barriga até a prescrição do crime. E, o que
é pior, uma vez condenado, o autor do delito geralmente não fica muito tempo
atrás das grades. Onde está Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro,
condenando por desviar milhões de reais dos cofres públicos? É por isso que se
sucedem de forma crescente as investidas contra o patrimônio público. O Brasil
virou paraíso de governantes e políticos corruptos.
Quarta-feira, 3 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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