Porto Velho (RO) quinta-feira, 29 de outubro de 2020
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BALELA DO VOTO CONSCIENTE


De cada eleição pelo menos algo marcante fica. Pode ser de um candidato
caricato que recebe milhões de voto pelos gritos na TV. Pode ser um animal
bem votado como no tempo da cédula ou como nesta com a campanha aberta pelo
voto nulo, gerada pela frustração da população pelas promessas reiteradas e
nunca cumpridas pelos candidatos e também pela facilitação da divulgação
pela internet.

Só que alguns procedimentos são constantes em todas as eleições. Uma deles
sempre é a participação dos formadores de opinião pela defesa do voto
consciente. Nunca definem minimamente no que consiste esta consciência e
colocam um monte de ingênuos na defesa, pessoas que não sabem sequer o que
significa a palavra consciência.

Alguns jornalistas chegaram a comentar com euforia que a campanha pelo voto
nulo não surtiu resultado. Um deles foi o comentarista político Franklin
Martins, hoje na Bandeirantes, depois de ser defenestrado da Globo, após a
denúncia do jornalista Diogo Mainardi, na revista Veja, de que ele tinha
parentes em cargos comissionados no governo federal. Uma afronta flagrante à
ética, já que o mesmo ousava fazer, e continua fazendo, comentário sobre o
governo, com a imparcialidade proporcional a de um Juiz que julga o próprio
filho.

Franklin Martins e seus colegas independentes quanto ele deveriam apontar
claramente como seria votar consciência no segundo turno para a presidência
da República. Tome-se a consciência em dois pontos. A segurança pública e a
ética. Se o "consciente" escolher o Lula estaria corroborando com o seu
nível ético ou sua assumida hibernação pelo fato de nunca saber de nada.

Assim foi que ele perdeu, depois de não ter mais nenhum recurso para
segurá-los, todos os seus companheiros de toda a sua vida política e alguns
até da vida pessoal. Se a consciência determinar que Lula deva ser excluído,
a consciência sobre segurança pública reforçaria a escolha de Geraldo
Alckmin que, junto com o PSDB, foi o parteiro que segurou o Primeiro Comando
da Capital - PCC que São Paulo pariu na sua gestão; foi a babá que cuidou
dessa "criança" até o seu crescimento e foi o coveiro que enterrou
literalmente as vítimas dessa organização.

Presumidamente, nenhuma condição de escolha define melhor a consciência do
que o voto livre. O voto facultativo já existe em países como a Bolívia, mas
ainda é tratado como um tabu no Brasil. Nenhum defensor da consciência, nem
a Justiça Eleitoral, nem a Ordem dos Advogados do Brasil, nenhuma igreja,
nenhum sindicato, ninguém fala dele. Como a andorinha que tenta apagar o
incêndio com sua gota d'água, vou defender o voto facultativo e essa "nova"
legislatura terá a obrigação de torná-lo livre.

Já que o silêncio sobre o voto facultativo domina proporcionalmente à
gritaria dos demagogos na defesa do voto consciente, eles deveriam sentir-se
responsáveis pela definição de parâmetros sobre qual escolha caracterizaria
a consciência. Seja qual for o eleito, se não resta a certeza absoluta, fica
a torcida de que seja o menos prejudicial à nação brasileira.

Fonte: Pedro Cardoso da Costa - Bel. Direito

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