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Rondônia: a educação, o piso salarial e o nefelibata...


Rondônia: a educação, o piso salarial e o nefelibata... - Gente de Opinião

O estado de Rondônia tem uma história muito curiosa, envolvendo arrivistas políticos e alguns nefelibatas como o coronel Marcos Rocha, que hoje assina como governador, embora não tenha capacidade para administrar um município com três mil habitantes. É lamentável que tenhamos políticos desse quilate em um estado cuja história começa justamente com um coronel de verdade, que assumiu o comando do então território quarenta anos atrás. Com certeza, o túmulo de Jorge Teixeira treme, todas as vezes em que alguém se dirige ao atual governador utilizando o vocativo que ele ganhou na PM de Rondônia, embora qualquer soldado desta briosa corporação seja muito mais qualificado para o cargo de governador...

Ainda durante a campanha eleitoral, Marcos Rocha declarou, em um debate, que não deu voz de prisão aos indivíduos que ofereceram  propina a ele, porque estava com o pé quebrado. Segundo ele, as pessoas estiveram na sala onde ele era lotado em três ou quatro oportunidades. Estas declarações evidenciam o político medíocre que habita o interior vazio deste ilustre nefelibata, porque um coronel de verdade jamais permitira que pessoas delinquissem reiteradas vezes, desta forma, sem tomar nenhuma atitude. É muito difícil acreditar que algum dia alguém ofereceu propina para o coronel do Pé Quebrado. No mesmo debate, ele foi perguntado sobre o que faria para resolver a problemática da política energética do estado. Ele respondeu que seu governo geraria empregos com salários compatíveis com os altos preços praticados pela empresa que vende energia aos consumidores de Rondônia. Estava muito claro que este moço não tinha a menor noção do que seria governar um estado como Rondônia. Em seus devaneios pueris, ele chegou a citar, na mesma ocasião, que era professor e que, por isso, faria um governo pautado no respeito pelos profissionais da educação. Vários incautos caíram no canto do sereião disfarçado de candidato... 

O respeito pelos professores surgiu logo no mês de fevereiro, quando o governo de Marcos Rocha enviou um bilhete aos diretores de escolas de Rondônia, informando que os professores estavam proibidos de merendar junto com os alunos; e que os diretores que não cumprissem tal determinação seriam presos. Então... Um governador que não teve coragem de prender as pessoas que ofereceram propina queria prender professores. Como aquele ato onagrocrático teve uma repercussão muito negativa, o secretário de educação tratou de colocar a culpa em uma assessora e disse que não tinha assinado o tal documento. Em muitas escolas de Rondônia, o horário da merenda é um ato pedagógico, chamado de “recreio dirigido”, onde os professores interagem com os alunos. Marcos Rocha e o secretário certamente não sabem o que é isto e nem conhecem a realidade das escolas do estado. Em Rondônia existem muitos professores que moram em um município e trabalham em outro. Quando o coronel Jorge Teixeira governava o estado, professores alunos e pais de alunos merendavam nas escolas sem nenhum coronelismo bisonho. O atual governador age como aqueles soldados que levam dois ou três meses para saber onde fica o lado direito ou esquerdo, durante a ordem unida. Com certeza, Marcos Rocha nunca comandou sequer uma companhia, porque ele não tem nenhuma noção do que significa comandar.

As lambanças não param por aí. Poucos dias atrás, o governo do coronel do Pé Quebrado enviou outro bilhete às escolas, informando, desta vez, que nenhuma escola estava autorizada a fazer palestras, debates seminários ou coisas do gênero, sem autorização expressa da SEDUC. O bilhete informa que, todas as vezes em que uma escola pensar em fazer uma palestra com alunos ou professores, deve encaminhar um ofício à Coordenação de Ensino da região, que vai encaminhar para Porto-Velho, onde o secretário vai decidir se pode fazer a palestra ou não. Que coisa burra!!! Se entre os pais de alunos há um Biólogo que pode falar com os alunos sobre o meio ambiente, a escola tem que esperar o secretário decidir se pode ou não autorizar a palestra? É a Pedagogia da Mediocridade!!!  Os diretores de escolas aceitam todos esses absurdos caladinhos, porque, para muitos deles, a única coisa que interessa é se manterem no cargo, já que o coronel não teve a capacidade de realizar a eleição de diretores de escolas. Não dá para acreditar que ele não fez a eleição porque queria comandar as escolas, visto que ele nunca aprendeu comandar coisa nenhuma. Quando Confúcio mandou esse coronel comer uma tapioca no mercado do quilômetro 01, ele não estava enganado. Marcos Rocha parece uma “Alice no País das Maravilhas”...

Esta semana, ele protagonizou uma lambança muito maior. Gravou vídeo, mandou publicar no Diário Oficial e distribuiu matérias, tabelas e planilhas para todos os rincões do estado, dizendo que pagaria o piso salarial dos professores, conforme está previsto em lei, e pagaria os valores retroativos a janeiro. Até os professores mais céticos ficaram felizes. Alguns professores choraram de emoção, ao verem o vídeo gravado pelo governador. Tudo papo furado!! No mesmo dia, o governo publicou nota, informando que foi tudo uma brincadeira e que não era bem assim. Isso não é um erro comum! Não é uma coisa à-toa! Um governo não pode cometer um absurdo como este! Este ato causa uma sensação muito negativa! Não dá para calcular a dimensão que este fato tem no aspecto moral, social e político. Mas não se pode esperar outra coisa de um nefelibata como o governador de Rondônia. Resta aos professores, sacudir a poeira, levantar a cabeça e esperar que Marcos Rocha aprenda que os alunos e professores merecem respeito... Tenho dito!!!!

 

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Articulista

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