Porto Velho (RO) domingo, 26 de junho de 2022
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Rodolpho Sbarzi

Matamos nossos deficientes!


Matamos nossos deficientes! - Gente de Opinião

Essa semana eu fui a feira do meu bairro caminhando com minha esposa e minha filha no carrinho de bebê, no caminho até a feira não tem mais de 500 metros, e como estávamos caminhando com criança, a melhor escolha é ir pela calçada... quem dera tivessem calçadas.

Senti uma extrema dificuldade em andar com o carrinho da minha filha pela calçada, quando não era uma moto em cima da calçada estacionada irregularmente, era o desnível das calçadas, que situação horrível.

Confesso que fiquei extremamente estressado quando me deparei com uma moto em cima da calçada e tive que descer pela rua para passar pois o dono se recusou a retirar, isso porque eu estava com o carrinho de bebê.

Fomos e voltamos da feira, eu como sempre comecei a pensar sobre a situação, essas calçadas, sobre a falta de respeito do dono da moto, e logo me veio a grande dificuldade que um cadeirante passaria ao fazer aquele trajeto ou passa todos os dias nessa cidade.

Essa reflexão não é uma crítica à política, leia até o final e compreenda!

A noite eu fui a uma reunião de uma igreja, chamada grupo de convivência liderado pelo meu amigo pessoal Pr. Rafael Carpina, da Igreja Batista Lagoinha, lá conversamos sobre Deus e várias outras coisas, e um dos pontos da conversa entrou na seara de deficientes. Para lhe situar, vou resumir.

Antigamente crianças deficientes eram rejeitadas e algumas até mesmo mortas, e eu pensei: hoje não é diferente. Então saiu a frase pela minha boca espontaneamente: NÓS TAMBÉM MATAMOS NOSSOS DEFICIENTES.

Bom, pesada essa afirmação, não é? Mas você leu que eu tive dificuldades para caminhar com minha filha em um carrinho de bebê, imagina se fosse um cadeirante, ou um cego?

O cadeirante teria que ir pela rua movimentada e cheia de motoristas mal-educados, pois pelas calçadas é impossível transitar, quando não é o desnível, ou a terra amontoada, é o desrespeito de pessoas que utilizam a calçada para seu benefício ou bel prazer.

E sabe onde rejeitamos ou matamos os nossos deficientes? Quando não pensamos neles, de maneira alguma eu ou você se importa com algo até que essa situação chegue até você ou a alguém próximo de você, isso é falta de empatia ou compaixão.

Nós não nos mobilizamos pela causa do nosso semelhante, que não é tão semelhante, pois é deficiente, meio paradoxal isso, mas é assim. Falta muita, muita, muita compaixão nesse mundo.

Quando alguém sofrer pela causa do próximo, sofrer junto com essa pessoa sem ser deficiente,  ou seja lá qual for a dificuldade dessa pessoa, nós não estaremos mais assassinando a dignidade dos nossos semelhantes que possuem apenas uma deficiência, ou uma diferença!

Fica aqui a reflexão:

QUE NÓS NÃO SEJAMOS COMO OS ANTIGOS QUE REJEITAVAM E MATAVAM OS DEFICIENTES!

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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