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Renda fixa, ações, criptos: quais temas os influenciadores financeiros estão abordando?

Relatório FInfluence da Anbima revela os assuntos mais discutidos por criadores de conteúdo de finanças no segundo semestre de 2024


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A influência digital no setor financeiro nunca esteve tão evidente. Com as redes sociais cada vez mais consolidadas como plataformas de informação e engajamento, os influenciadores especializados em finanças pessoais, investimentos e economia ganharam ainda mais protagonismo.

O mais recente relatório FInfluence, divulgado no início de junho pela Anbima, em sua oitava edição, mostra que a produção de conteúdo sobre o universo financeiro atingiu números recordes no segundo semestre de 2024 — tanto em volume quanto em alcance.

Canais com maior influência

O estudo mapeou 741 influenciadores, distribuídos em 1.662 perfis dedicados ao tema em quatro grandes plataformas: X (antigo Twitter), YouTube, Instagram e Facebook. Esses criadores publicaram 394 mil postagens no período analisado, revelando uma alta significativa no engajamento médio por conteúdo.

Com 2.965 interações por post, o volume representa um crescimento de 21% em comparação com a edição anterior do relatório, marcando o maior índice desde o início da série histórica.

Entre os canais analisados, o YouTube se destacou como o ambiente de maior influência de longo prazo, registrando 10.816 interações médias por vídeo — número que o consolida como o principal espaço para conteúdos aprofundados.

Já o Instagram ampliou sua relevância na atração de novos influenciadores, enquanto o X enfrentou um semestre conturbado: a plataforma sofreu uma queda no número de publicações e no engajamento, reflexo direto da suspensão temporária determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de agosto de 2024.

Temas abordados

No que diz respeito aos temas abordados, o levantamento mostra que quase todos os influenciadores monitorados (718 dos 741) trataram de produtos financeiros. A frequência das menções a aplicações específicas aumentou 13,6%, totalizando 222 mil citações. Mais do que quantidade, esses conteúdos também mobilizaram o público: as interações sobre investimentos saltaram 30%, atingindo 4,7 mil em média por publicação.

O assunto que mais chamou a atenção dos seguidores foi sobre investir em renda fixa. Com engajamento médio de 8.490 interações, os conteúdos sobre esse tipo de aplicação se tornaram os mais atrativos do período — um avanço de 117,9% em relação ao levantamento anterior. O cenário de juros elevados e a busca por segurança podem explicar essa preferência do público.

Apesar disso, a renda variável continuou dominando a pauta, com mais de 220 mil menções — um aumento de 14,3%. A versatilidade desse mercado e o volume de novidades, incluindo ações, fundos imobiliários e criptoativos, contribuem para a sua recorrência nos perfis especializados.

O estudo também destaca que, quando não se referem diretamente a produtos financeiros, os influenciadores diversificam os assuntos. Trade, cenário econômico nacional e internacional, investimentos sustentáveis, finanças pessoais e política estão entre os tópicos recorrentes. Essa pluralidade de temas amplia o alcance dos perfis, ao conectar finanças com questões do cotidiano e do debate público.

Outro ponto relevante foi a atuação das influenciadoras mulheres, que passaram a abordar conteúdos com viés mais inspirador, relacionando qualidade de vida e saúde financeira. Embora essas postagens tenham registrado um volume menor de interações, revelam uma tendência de humanização do conteúdo financeiro, com foco em bem-estar e organização pessoal.

Educação financeira

O relatório FInfluence confirma que os influenciadores financeiros seguem como importantes mediadores entre o mercado e a população. Ao traduzirem temas complexos e adaptarem o discurso às dinâmicas das redes sociais, esses criadores têm papel estratégico na educação financeira, estimulando o interesse e o engajamento de diferentes públicos.

Com dados cada vez mais robustos, torna-se possível compreender não só o comportamento dos influenciadores, mas também os interesses reais de milhões de brasileiros conectados à economia digital.

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