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Que a história não se repita


Que a história não se repita - Gente de Opinião

A celebração da inauguração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no dia 1º de agosto tem sido comemorada por décadas, entrando inclusive para o calendário oficial do governo de Rondônia, quando da celebração do centenário da famosa ferrovia. O próprio Aluízio Ferreira teria repetido tal narrativa por escrito na documentação oficial durante a década de 30 na época em que foi Diretor da EFMM - narrativa essa, que pode ser conferida em consulta ao Acervo Físico do MERO - Museu da Memória de Rondônia.

Entretanto, durante a pesquisa histórica realizada para a  GTN Produção e Gestão Cultural (a empresa responsável pela montagem do Museu da EFMM), foram descobertas não apenas uma, mas várias fontes históricas primárias, incluindo a documentação oficial do próprio Ministério da Viação e Obras Públicas brasileiro, além de outras publicações em inglês que atestam a veracidade de outro fato.

A narrativa do Jornal Alto Madeira publicada seis anos depois (no dia 30 de maio de 1918), descreve brevemente a cerimônia de inauguração da EFMM na ocasião: "Os constructores da Estrada inauguraram-na, à revelia do consentimento e ordem do governo, sem convite de espécie alguma às autoridades brasileiras, no dia 7 de setembro de 1912..."(sic)

Aprofundando ainda mais a investigação, descobrimos não ter sido apenas o 7 de setembro que passou batido, mas também a conclusão da obra, celebrada em Guajará-Mirim a cada 30 de abril (erroneamente), posto que a data oficial seja outra, segundo o BULLETIN OF THE PAN AMERICAN UNION publicado em dezembro daquele ano, na pág. 1130: "and the final section, that to Guajara-Mirim, was opened to traflic under the present operating conditions on july 15, 1912." (sic)

Cientes da situação, publicamos os prints da documentação de referência que conseguimos acessar na página do MIIS-RO [1] e comunicamos em ofício ao IPHAN tais achados em setembro de 2023 para que fossem feitas as devidas correções, mas, infelizmente até o momento, não houve o ajuste devido no registro patrimonial tombado[2], mas conseguimos que, ao menos na Wikipédia[3] o erro fosse corrigido.

O velho ditado parece se confirmar quando dizemos que "quando a história se repete, geralmente é em forma de farsa". Então para os devidos fins, que não seja esse o caso, e as correções em pauta sejam fiéis à documentação histórica do período - é o mínimo que podemos desejar para a memória da EFMM.

Joesér Alvarez

Historiador e Coordenador do MIIS-RO

[1]https://miis-ro.org/memoria-da-ferrovia-madeira-mamore

[2]https://www.ipatrimonio.org/rondonia-estrada-de-ferro-madeira-mamore/#!/map=38329&loc=-8.764793981583457,-63.90900492668151,16

[3]https://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Madeira-Mamor%C3%A9

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