Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Artigo

Pubalgia em atletas amadores cresce e exige reabilitação mais longa do que parece

Entenda o que é pubalgia, como reconhecer sinais cedo e por que a recuperação costuma levar mais tempo do que muita gente imagina.


Pubalgia em atletas amadores cresce e exige reabilitação mais longa do que parece - Gente de Opinião

Pubalgia virou um nome cada vez mais comum entre quem corre, joga futebol no fim de semana, pedala, faz cross training ou treina musculação com foco em performance.

O problema é que a dor costuma começar discreta, aparece só depois do treino, some com repouso e dá a impressão de que é algo simples. Muita gente insiste, muda um pouco o jeito de correr, toma anti-inflamatório por conta própria e segue a rotina.

O ponto é que pubalgia não costuma melhorar só com pausa curta. Em vários casos, ela envolve sobrecarga repetida na região da virilha e do púbis, com participação de tendões, músculos do abdômen e adutores, e até alterações no padrão de movimento do quadril.

Quando o corpo tenta compensar, a dor pode migrar, ir para o baixo ventre, para a parte interna da coxa, ou aparecer em uma pontada ao chutar, arrancar e mudar de direção.

Quando a reabilitação é feita pela metade, o atleta amador entra num ciclo bem conhecido: melhora por alguns dias, volta a treinar, piora de novo, perde condicionamento e fica frustrado. Por isso a recuperação parece mais longa do que deveria.

O tratamento costuma funcionar melhor quando há diagnóstico correto, plano bem ajustado e paciência para seguir as fases, inclusive na hora de voltar ao esporte com segurança.

O que é pubalgia e por que ela aparece

Pubalgia é um quadro de dor na região do púbis e da virilha, muitas vezes ligado a tendinopatias e sobrecarga na transição entre tronco e quadril. Ela pode surgir quando a demanda do treino sobe rápido demais, quando há desequilíbrio entre músculos do abdômen e da coxa, ou quando o quadril não tem mobilidade e força suficientes para o tipo de gesto esportivo que a pessoa faz.

Atletas amadores estão em um cenário comum: pouco tempo, rotina corrida, sono irregular, aquecimento apressado e aumento de carga em semanas de empolgação. Quem joga futebol ou futsal sofre bastante porque o corpo precisa acelerar, frear, girar e chutar com força.

Corredores podem sentir piora em tiros, subidas e mudanças de ritmo. Em alguns casos, a pubalgia aparece junto com dor no quadril, adutores tensos e lombar reclamando no fim do dia.

Sinais que costumam confundir e atrasar o cuidado

A pubalgia nem sempre dá um recado claro. Um sinal frequente é dor na virilha ao levantar da cama, ao entrar e sair do carro, ao subir escada ou ao fazer um movimento de abrir a perna.

Outro sinal é incômodo ao tossir, rir forte ou fazer força para levantar algo, por envolver contração do abdômen. No esporte, a dor pode aparecer no aquecimento e sumir durante o jogo, voltando horas depois com mais intensidade.

Também é comum confundir com distensão simples do adutor. A distensão costuma melhorar bem com poucos dias e não volta tão fácil quando a pessoa retorna aos treinos gradualmente.

Na pubalgia, a dor pode insistir por semanas, principalmente quando a pessoa tenta compensar, muda a passada ou passa a chutar de um jeito torto para fugir da dor.

Diagnóstico: o que ajuda a acertar o caminho

O diagnóstico é clínico, com conversa detalhada e exame físico bem feito. Saber em que ponto dói, qual movimento piora, como foi a progressão do treino e se houve mudança recente de tênis, terreno ou volume faz diferença.

Exames de imagem podem ser pedidos para investigar estruturas, descartar hérnias, avaliar tendões e checar o quadril, mas a decisão depende do caso.

Se a dor está te travando, se você já tentou repouso e ela volta quando treina, vale buscar avaliação com profissionais que lidam com esporte e reabilitação. Uma consulta bem direcionada encurta o caminho e evita tentativa e erro.

Se você quer um time com experiência nesse tipo de queixa, pode conhecer os melhores ortopedistas e entender qual especialista combina com o seu perfil e modalidade.

Por que a reabilitação costuma ser mais longa

O tempo de recuperação varia, só que a pubalgia costuma pedir semanas de cuidado real, não só descanso. O motivo é simples: tendões e tecidos sobrecarregados demoram a se adaptar novamente.

Se a pessoa volta ao impacto e aos chutes antes de recuperar força e controle do quadril, a dor reaparece. A melhora que vem em 7 ou 10 dias muitas vezes é só diminuição do sintoma, não retorno da capacidade de suportar carga.

Outro ponto é que a causa não costuma ser única. Pode haver fraqueza de glúteo, abdômen que não sustenta bem a pelve, encurtamento de flexores do quadril, adutores trabalhando mais do que deveriam, e técnica ruim na corrida ou no chute. Reabilitar é ajustar o conjunto, não apenas alongar o local que dói.

Tratamento na prática: o que costuma funcionar

O tratamento costuma começar com redução temporária das atividades que pioram a dor. Reduzir não significa parar tudo. Em muitos casos, dá para manter treino cardiovascular com baixo impacto, como bicicleta leve, elíptico ou natação, sempre respeitando a dor. A meta é seguir ativo sem agravar o tecido lesionado.

A fisioterapia costuma ser o pilar. Exercícios de fortalecimento progressivo para abdômen, glúteos e adutores entram de forma planejada, começando com isometria, passando para controle de movimento e chegando a exercícios mais dinâmicos. O foco é ganhar estabilidade do quadril e da pelve, melhorar a mecânica e preparar o corpo para as forças do esporte.

Quando indicado, medidas para dor e inflamação podem ajudar no início, sempre com orientação profissional. O mais importante é não usar remédio para mascarar dor e voltar a chutar forte como se nada estivesse acontecendo. Dor é informação. Se ela é abafada, o risco de piorar cresce.

Exercícios: por que copiar treino de internet costuma dar errado

É comum ver listas prontas com exercícios para pubalgia e tentar fazer sozinho. O problema é que o exercício certo na fase errada vira gatilho. Um agachamento profundo pode ser ótimo mais adiante, só que no começo pode aumentar a dor.

Um avanço com passada longa pode exigir demais do adutor em quem ainda não recuperou força. Até prancha pode piorar em alguns casos, se a técnica estiver ruim e a pelve cair.

O ideal é ter progressão. Primeiro vem o controle, depois a carga. O corpo precisa reaprender a estabilizar, aceitar esforço e só então voltar a gestos rápidos, como arrancadas, chutes e mudanças de direção. Esse caminho costuma ser o motivo de a reabilitação parecer longa, porque é uma construção por etapas.

Volta ao esporte: sinais de que ainda está cedo

Voltar a correr ou jogar é a parte mais tentadora. Só que alguns sinais mostram que o corpo ainda não está pronto: dor que aparece no aquecimento, dor que piora no dia seguinte, dificuldade para fazer movimentos laterais, incômodo ao chutar com força, sensação de que a virilha está puxando, ou necessidade de mudar o movimento para aguentar. Se isso acontece, vale ajustar a carga e retomar uma fase anterior por alguns dias.

Uma volta bem feita costuma incluir treino técnico com baixa intensidade, depois estímulos curtos e controlados, e só depois o jogo completo ou o treino pesado. O atleta amador que respeita essa escadinha costuma voltar mais rápido no total, porque evita recaídas.

Como reduzir o risco de pubalgia no dia a dia

Segundo relatos institucionais do COE, Centro de Ortopedia Especializada da capital goiana, prevenção é chata até virar necessária. Três hábitos ajudam muito: subir carga aos poucos, aquecer com intenção e manter força de quadril e tronco mesmo quando a semana está corrida.

Um aquecimento bom não precisa ser longo, mas precisa preparar o corpo para o que vem, com mobilidade de quadril, ativação de glúteo e movimentos específicos do esporte.

Também vale observar sinais simples: dor repetida na virilha por mais de duas semanas, incômodo que volta sempre que acelera, ou sensação de que o corpo está travando em movimentos laterais. Nesses casos, reduzir o ritmo por alguns dias e buscar avaliação cedo costuma evitar que o problema se arraste por meses.

Quando procurar atendimento sem adiar

Procure avaliação com um ortopedista se a dor impede você de treinar, se você manca, se a dor piora progressivamente, se há dor noturna, febre ou perda de força importante.

Mesmo sem esses sinais, vale buscar ajuda quando a dor vai e volta por semanas e você já percebe que está mudando o jeito de se movimentar para aguentar. Um plano bem montado, com metas claras e fases de reabilitação, costuma transformar a recuperação em algo mais previsível.

Pubalgia em atletas amadores cresce porque o esporte cresceu e porque muita gente treina forte sem tempo de construir base. A boa notícia é que dá para resolver bem quando o cuidado é feito do jeito certo.

Reabilitação longa não é castigo, é o tempo de o corpo voltar a confiar no próprio movimento, para você treinar e competir sem viver com medo da próxima fisgada.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 28 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Porque o governo não deve concluir Angra 3*

Porque o governo não deve concluir Angra 3*

O setor nuclear brasileiro tem em sua trajetória um passado nebuloso, repleto de episódios controversos. Desde o contrabando e exportação de areias

A última barricada

A última barricada

“Não acompanheis os que, no pretório ou no júri, se convertem de julgadores em verdugos, torturando o réu com severidades inoportunas, descabidas ou

Dissuasão nuclear, a quem interessa?

Dissuasão nuclear, a quem interessa?

“A paz não pode ser mantida pela força; só pode ser alcançada pela compreensão"  (Atribuído a Albert Einstein***, físico teórico alemão, um dos maio

Gestação e Alfabetização: entenda a interconexão para o desenvolvimento do aluno

Gestação e Alfabetização: entenda a interconexão para o desenvolvimento do aluno

Muitas pessoas podem achar que gestação e alfabetização são temas distintos. No entanto, há fatores na gravidez que podem influenciar diretamente no

Gente de Opinião Quarta-feira, 28 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)