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O Monumento ao Esquecimento: As Ruínas de Luxo no Iata


Imagem: J.Calixto - Gente de Opinião
Imagem: J.Calixto

No coração do distrito de Iata, a cerca de 27 quilômetros da civilização guajará-mirense, a história da Amazônia rondoniense costuma ser contada através do suor dos trabalhadores da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e da bravura dos soldados da borracha. O local, que ganhou importância estratégica em 1943 com a criação da colônia para impulsionar a agricultura familiar, hoje serve de moldura para uma obra que é o ápice da comédia burocrática brasileira: o Hotel Escola de Ecoturismo.

O distrito, que surgiu antes mesmo da cidade de Guajará-Mirim e foi cortado pelos trilhos da "Ferrovia do Diabo", assiste agora ao apodrecimento de um "imenso casarão" que prometia ser o futuro da educação ambiental, mas que se tornou apenas um hotel de luxo para a poeira e o descaso.

A história desse elefante branco começou oficialmente em 2002, quando o Convênio nº 046/2002 reuniu o trio fantástico da ineficiência pública: a SUFRAMA como financiadora, a extinta Fundação Rio Madeira (RIOMAR) como executora e a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) como a espectadora que nunca recebeu as chaves. Enquanto os recursos públicos fluíam da SUFRAMA para a RIOMAR, o prédio subia no Iata, mas as prestações de contas desciam pelo ralo da desaprovação administrativa.

O resultado é uma obra que, embora fisicamente concluída, juridicamente não existe para a UNIR, que se viu impedida até mesmo de fazer a manutenção básica da estrutura enquanto os anos passavam e o mato avançava.

A política empregada no Hotel Escola atingiu níveis satíricos quando boatos de que o prédio teria sido "inaugurado três vezes" sem nunca funcionar ganharam as manchetes, forçando a reitoria da UNIR a vir a público em 2013 para desmentir as supostas festas de entrega de uma estrutura que jamais abrigou um único turista ou estagiário.

É o triunfo da estética sobre a ética acadêmica: o governo federal construiu um cenário de filme de ecoturismo no meio do nada, esqueceu de acertar as contas com a fundação executora e deixou o Ministério Público Federal em 2017 tentando entender, em meio a inquéritos civis, por que o patrimônio público estava à deriva em uma área que ainda precisava ser regularizada e que sofria reivindicações de terras indígenas.

Enquanto isso, a comunidade de Iata, composta por cerca de 170 famílias que só recentemente (2016) foram presenteadas com o luxo básico de uma estação de tratamento de água, observa o hotel fantasma como um símbolo do "esquecimento" citado por governadores em cerimônias oficiais.

Para um distrito histórico que sobrevive da agricultura familiar e de visitas casuais de pescadores ao Rio Mamoré, a visão de um centro de excelência abandonado, em seu âmago, materializa o escárnio político, transformando o que deveria ser um centro de excelência e esperança para a juventude do municipio em um símbolo estéril da incompetência e do desperdício estatal.

Em 2021, o enredo ganhou mais um capítulo de promessas quando a UNIR encaminhou a destinação do imóvel para a Secretaria de Estado da Educação (SEDUC), sob o pretexto de transformá-lo em uma escola profissionalizante. A justificativa é a mesma de sempre: "tratar o patrimônio público com respeito", uma frase que soa como piada de mau gosto para quem acompanha a estrutura apodrecer há quase duas décadas.

O Hotel Escola do Iata permanece como o retrato fiel de uma gestão que prioriza convênios e parcerias burocráticas em detrimento da finalidade social, provando que, na fronteira do Brasil com a Bolívia, a realidade supera qualquer sátira política sobre o desperdício estatal.

Nota: Fontes da pesquisa com o autor

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