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Do ceticismo à adoção: por que grandes marcas estão preferindo os escritórios flexíveis


Roberta Vasconcellos - Gente de Opinião
Roberta Vasconcellos

Quando uma mudança deixa de ser uma opção e vira uma necessidade? Há alguns anos, pegar carona com um desconhecido era algo impensável. Hoje, os aplicativos de mobilidade são parte do nosso dia a dia. Pagar contas pelo celular? Nem passava pela nossa cabeça, mas agora fazemos tudo pelos bancos digitais. Com o setor imobiliário não seria diferente. A forma como encaramos os espaços de trabalho está passando por essa mudança, que não é apenas uma tendência, e sim uma evolução.

No entanto, ainda há resistência. Muitas pessoas veem os escritórios flexíveis com desconfiança, por acharem que falta privacidade ou que não oferecem a mesma estrutura de um escritório tradicional. Esses receios são baseados em ideias que já não fazem mais sentido, e precisamos entender de onde eles vêm. Para muitos, a imagem de um escritório flexível está associada a espaços superlotados, mesas compartilhadas com pessoas estranhas e uma sensação de “improviso”. A identidade corporativa também é uma questão, por acreditarem que um escritório flexível não é capaz de refletir a marca ou a cultura da companhia.

Mas, atualmente, esses espaços são mais do que simplesmente “compartilhados”. Eles são inteligentes, adaptáveis e, acima de tudo, personalizáveis. O modelo atual entrega escritórios como serviço, integrando infraestrutura, gestão, operação e tecnologia em uma única solução. Não é apenas sobre ter um espaço bonito e confortável — trata-se de eficiência e estratégia. As empresas não precisam mais lidar com diferentes fornecedores para manutenção, mobiliário ou serviços básicos, por exemplo. Tudo já vem plugado de forma estratégica e eficiente, como acontece com soluções em nuvem, semelhante ao que a AWS faz no mundo da tecnologia: você acessa um ecossistema completo, sem investir em CAPEX e sem a dor de cabeça de gerenciar uma cadeia complexa e múltiplos fornecedores.

Além disso, a flexibilidade possibilita desde contratos mais adaptáveis até espaços que podem ser expandidos ou reduzidos conforme a necessidade do negócio, o que já é uma tendência global, acompanhando um mercado que demanda agilidade. Assim como a inteligência de dados, que também faz parte desse pacote. Com acesso a informações detalhadas sobre a utilização dos espaços, localização e necessidades dos colaboradores, fica muito mais fácil tomar decisões assertivas.

Tanto é que uma das principais marcas de cosméticos do Brasil apostou nesse modelo. Eles precisavam de um espaço que facilitasse a integração e a comodidade de seus colaboradores e encontraram um localizado em um ponto estratégico no coração de São Paulo, projetado para traduzir os valores e o branding da empresa, atendendo às demandas de um ambiente moderno, integrado e acessível para funcionários e parceiros. E muitas outras, de diversos segmentos, também investiram no modelo.

A verdade é que os escritórios flexíveis têm se estabelecido como um pilar do futuro do trabalho, alinhando flexibilidade, sustentabilidade e inovação. Para se ter uma ideia, de acordo com o Relatório Global do Mercado de Coworking 2025, o tamanho deste mercado deve atingir US$13,03 bilhões ainda neste ano, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 18,4%.

O relatório destaca diferenças significativas entre regiões. A Ásia-Pacífico é líder em participação de mercado devido ao crescimento acelerado de startups e à alta densidade populacional em países como China e Índia. A América do Norte teve uma adoção rápida do trabalho híbrido, com corporações buscando flexibilidade em seus escritórios. A América Latina ainda é um mercado em consolidação, mas com oportunidades de expansão em grandes cidades.

No fim, o que entendemos é que toda mudança enfrenta ceticismo no começo. Mas, assim como aconteceu com os aplicativos de transporte e os bancos digitais, essa resistência tende a desaparecer à medida que as pessoas experimentam os benefícios na prática.

Se eu pudesse dar uma única dica seria: experimente. Visite um escritório flexível, converse com empresas que já adotaram o modelo e veja como ele pode se encaixar na realidade do seu negócio, porque o escritório do futuro já está aqui — mais eficiente, mais inteligente e pronto para crescer com você.

Roberta Vasconcelos é co-fundadora e CEO da Woba, maior rede de escritórios flexíveis por assinatura da América Latina. Foi aluna do Global Shaper (iniciativa do Fórum Econômico Mundial de jovens líderes) e do YLAI (Young Leaders of the Americas Initiative). Vencedora da categoria Jovem Liderança, da premiação “Executivo de Valor”, do Valor Econômico, em 2024, eleita “30 under 30” pela Forbes Brasil em 2015 e finalista do CLAUDIA Awards 2014 (maior premiação feminina da América Latina),  tem 10 anos de experiência em vendas e marketing. Atua no mercado de tecnologia desde 2009, com experiência anterior como CEO/Cofundador da TYSDO-Things You Should Do, atuando em renomadas startups brasileiras e como membro ativo de comunidades locais (SanPedroValley).

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