Sexta-feira, 17 de abril de 2026 - 11h06

Aquele que salva a sua pátria não viola nenhuma
lei.” Napoleão Bonaparte
A História ensinou
aos povos que existe um custo humano pessoal necessário à defesa da liberdade e da democracia. Fingir que esse custo não
existe, resignando-se a um pertencimento confortável, pode ser uma forma
sofisticada de autoengano, ou falta de compaixão para com seus semelhantes
cidadãos, ou ainda cinismo puro. Há sim um desgaste psicológico, social e moral
cada vez maior, na tutela da liberdade. Mas não é preciso heroísmo, ou
menosprezar a política, para que alguém valendo-se de fatos escolha sustentar
ideias e defender valores, sem se ajoelhar a um político específico, sem
reverberar narrativas ideológicas rasas e sem transformar convicção em seita.
Duas fábulas podem funcionar como
espelho da “epidemia de inércia” das pessoas de bem do Brasil, que
inexplicavelmente não estão considerando suas responsabilidades na defesa da
liberdade, têm abdicado diariamente de seus direitos e se omitido diante de
injustiças, deixando de sustentar seus valores até na ceia de Natal da família.
A primeira vem dos sertanejos do Nordeste. Contam que, se alguém jogar um sapo
em água fervente, ele pula imediatamente para escapar. Mas se você colocar o
sapo em água fria e aquecê-la aos poucos, ele não percebe o aumento gradual da
temperatura — até ser cozido sem reagir. Mudanças
lentas e não bem compreendidas, com o desconforto sendo aumentado aos poucos, causam uma adaptação gradual ao risco, fazendo com
que o ponto de ruptura não seja percebido no presente, ou visualizado como
futuro, gerando a chamada inércia por acomodação. É essa a atitude das
pessoas de voto nulo ou em branco, dos aposentados ludibriados pela corrupção
no INSS, dos conservadores intimidados nas universidades, dos militares diante
dos revanchistas de plantão, que cassam – considerando privilégios – prerrogativas
e direitos profissionais, conquistados pela farda em décadas de lutas.
A segunda é uma fábula atribuída ao escravo
grego Esopo, sobre uma infestação de ratos em uma fazenda, então ameaçados por
um enorme gato comprado pelo fazendeiro. Diante da possibilidade do extermínio da
colônia, os ratos se reuniram em assembleia e passaram a discutir o problema.
Foi quando um jovem camundongo propôs uma solução brilhante: colocar um guizo no
pescoço do gato,
o que faria todos ouvirem sua aproximação, fugindo a tempo. A ideia foi
aplaudida efusivamente pela rataria, até que uma velha ratazana perguntou: quem vai colocar o
guizo no pescoço do gato? Aqui, a “solução” se apresenta como de risco elevado,
e o problema é outro: trata-se do custo do agir, acarretando o que podemos
chamar de uma inércia por cálculo racional. Hoje, nessa postura, podemos
listar as Forças Armadas, a Polícia Federal, o Congresso, a OAB, a CNBB, as
Federações e Confederações da Indústria e do Comércio, e todos os homens de bem
não partícipes do butim da corrupção que grassa no país.
Sistemas – ou governos – entram em crise não
porque faltem soluções, mas porque muitas vezes os problemas demoram a ser
percebidos como tal, e quando as soluções ficam mais evidentes, o custo de
aplicá-las já se tornou proibitivo. E a democracia começa quando alguém
decide agir pelo outro, mesmo quando não é obrigado. Isso é custo assumido
voluntariamente.
No Brasil de hoje, a inércia
antidemocrática é o maior problema.
Não há qualquer reação efetiva de fato ou de
direito dos cidadãos brasileiros contra as progressivas decisões inconstitucionais
do STF. Não se vê protesto quanto à letargia cúmplice da PGR sobre a
investigação de comprovados escândalos financeiros de conhecimento público. O crime
e os criminosos estão sendo acobertados pela própria Justiça, com chicanas
judiciais que abusam da inteligência de qualquer pessoa informada. Não se
observa reação ou desobediência quanto à desenfreada sanha de arrecadação de
impostos do governo, que se nega a cortar gastos públicos. Não se vê a intelligentsia
sequer questionar a miopia geopolítica do presidente, que conseguiu se indispor
com todos os históricos aliados, sem com isso obter qualquer vantagem, que
alardeia internacionalmente seu alinhamento com ditaduras e terroristas, e
desafia os EUA, orgulhando-se de ter o mesmo sangue de Lampião, um bandido. São
evidentes as provas de que já passamos da “fase do sapo”.
Na banheira dos nunca concretizados planos e
promessas, na água morna da corrupção, os atores políticos se aclimataram, a
imprensa ensaboou narrativas, e a cobrança dos “malfeitos” escorreu pelo ralo
como “fascismo”, tendo juízes, intelectuais e artistas atuado como ativistas, até
nos acostumarem à fervura do autoritarismo como “defesa da democracia”. O “novo
normal” despótico escaldou a coragem, fazendo evaporar-se a consciência
política, a visão estratégica e o senso de justiça dos brasileiros, desidratando
todas as iniciativas de baixo custo e menos doloridas para se mudar a situação.
Agora, estamos na crítica “fase do guizo”: é quando se lembram do Exército. Mas só restaram duas alternativas: ou se consegue reduzir o custo do agir, ou se aumenta o custo do não agir.
Gen Marco Aurélio Vieira
Foi Comandante da Brigada de Operações
Especiais e da Brigada de Infantaria Paraquedista.
Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
O cientista político Luiz Felipe D'Avila, o economista Marcos Cintra, o diretor da Faculdade Brasileira de Tributação, Filipe Silva, e eu preparamos

Vantagens ocultas dos programas VIP em sites de apostas: o que poucos apostadores brasileiros saber
Para obter maiores ganhos em apostas esportivas o jogador deve sempre se atentar aos programas VIP disponibilizados pela maioria das casas de apostas

Comprar sex toy online é confiável? Dicas para uma escolha segura
A compra de produtos íntimos pela internet passou a fazer parte da rotina de quem busca discrição, variedade e acesso a informações mais completas ant

Por que a proteção UV virou etapa básica do autocuidado
A proteção contra a radiação ultravioleta deixou de ser associada apenas a idas à praia ou dias de verão intenso. No cotidiano urbano, a pele continua
Sexta-feira, 5 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)