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Crônica

Como se não houvesse amanhã


Como se não houvesse amanhã - Gente de Opinião

Guardadas as devidas proporções, ao assisti grande número de pessoas, notadamente jovens, em ajuntamentos, nas festinhas de bairro, em frente aos bares da moda, na praia, nos clubes sociais, etc., durante os festejos natalinos e de Ano Novo, me ocorreu que estivesse voltando à ativa o jogo da internet que explorava o mito do suicídio da Baleia Azul: Nossa, hoje eu tô um nojo de lindo (a). Eu sou! e a morte o que é, vamos conferir?

Para quem não se lembra, o jogo, Baleia Azul, surgiu na rede social Russa VK, em 2015, e consistia na figura de um curador que orientava jovens a cumprirem 50 tarefas macabras, culminando com o suicídio.  Acredita-se que o jogo esteja relacionado com centenas de casos de suicídios, espalhados pelo mundo. O problema agravou-se tanto que a OMS, em 2018, preparou uma cartilha de orientação, direcionada aos pais, professores e educadores em geral, esclarecendo como identificar comportamentos indicativos de risco de suicídio. O mote agora é o coronavírus. O vírus tá pistola! Vem!!!

Quem será o curador internético, nestes casos de incentivo a contaminação pelo coronavírus? Neste jogo, a vida por um fio, a tarefa de desafiar o vírus, não culminará com o suicídio, mas com o homicídio culposo, com dolo eventual, vitimando os idosos da casa, uma espécie de eutanásia dolorosa. Não é nenhuma novidade que a maioria dos jovens gosta de desafios, não aceita controle e é mais sugestionável que o adulto, o popular maria-vai-com-as-outras. Neste réveillon, as hashtags mais comuns foram #beber no mesmo copo, #beijar na boca e gritar a plenos pulmões: #aqui é Brasil, eu quero que o vírus vá pra puta que pariu.

Presume-se que nos próximos 15 dias a pandemia aumente seu raio de ação, sufocando a situação do atendimento médico, nas grandes cidades brasileiras. Não é fácil impor ao jovem comportamentos relacionados com distanciamento social ou quarentena. O jovem é pegajoso e contagioso, ele gosta da proximidade do outro (e quem não gosta?), enfim somos animais sociais. Não adianta a TV Obituário pedi, o jovem gosta de contrariar: vamos todos pra rua! #é proibido proibir!

No contexto dos desafios diários que molduram as favelas e periferias brasileiras com jovens portando armas de grosso calibre, despertar a atenção, para o risco de um inimigo invisível, vira pilhéria para grande parcela da juventude: O corona é meu crush da escola e do ônibus.

A expectativa dos novos casos de Covid19, decorrentes da irresponsabilidade dos ajuntamentos, aumenta o receio das nossas autoridades, com a proximidade do carnaval, visto que, pela morosidade e irresponsabilidade das ações governamentais, o bloco das vacinas só vai desfilar no carnaval de 2022. A escola de samba em evidência é a dos defuntos, com alegorias recicladas de caixões, papel roxo, flores sintéticas amarelas e seringas usadas. #Cemitério, vem pra cova, meu bem!

A maior festa popular do mundo, mesmo proibida ou prorrogada, nas grandes cidades brasileiras, vai arrastar milhares de jovens para as ruas, no mesmo esquema das convocações via redes sociais, como se não houvesse amanhã. E aí bebê, vem de ZAP?

#Educar, #conversar, #convencer, deveriam ser as hashtags da hora, com toda a força das famílias e das nossas instituições ligadas à saúde e à educação. A ordem é BERRAR. Ainda que não se consiga a totalidade, não se pode desistir do convencimento, muitos jovens haverão de aderir ao chamamento da responsabilidade, de aceitar o contágio com o vírus do amor, de proteger os parentes mais idosos e de acenar para a esperança. #Não flopar a vida!!!

A gente sabe que o fenômeno da desesperança entre os jovens é antigo, o que causa certa irresponsabilidade no trato com a vida e a morte, foi assim com o Baleia Azul, com alguns seriados da TV, com as facções que lidam com as drogas e agora com o coronavírus, por isso é importante que pais e educadores fiquem atentos e abram os canais da comunicação, na tentativa de mostrar ao jovem que sempre existe uma alternativa, ainda que ele more no morro, num barraco favelado, ou na rua: − Sorria, cante e dê boas-vindas à paciência, logo as vacinas farão parte de sua vida e da dos outros. #Esperar o novo normal é saber…

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