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Crônica

A Bateria Nuclear de Thaiana e Significado das Cinzas pós Carnaval


A Bateria Nuclear de Thaiana e Significado das Cinzas pós Carnaval - Gente de Opinião

Pés doendo, olhos caídos, um sorriso no rosto. Assim chega Thaiana, em casa, depois de mais uma note de carnaval nos blocos de Porto Velho. Ela foi todas as noites,  ostentando os abadás que adquiriu. Jogada no sofá, rapidamente desliza pelas fotos, revivendo os momentos de alegria e diversão compartilhados com seus amigos enquanto se prepara para o banho, instantes em que o  dia dar os primeiros sinais do sol. Apesar da exaustão, uma onda de satisfação e nostalgia a envolve. (suspirando)” Valeu a pena cada minuto”.

A cena termina com Thaiana saindo do banho, usando um novo conjunto de roupas e aplicando , as pressas, um toque final de maquiagem. Apesar da exaustão, Ela parece que tem uma bateria nuclear, seu rosto irradia determinação e felicidade, pronto para enfrentar mais um dia de trabalho e esperar  chegar para mais um bloco. Ainda tem o rescaldo.

Assim como Thaiana, milhares de pessoas em todo o mundo, comemoram esse momento. O Carnaval é uma festa de origem pagã que remonta à Antiguidade, tanto na Mesopotâmia, Grécia e Roma. A palavra "carnaval" tem origem no latim "carnis levale", que significa "retirar a carne". Esse significado está relacionado ao jejum que deveria ser realizado durante a quaresma, além do controle dos prazeres mundanos. Por esse motivo, durante o Carnaval, era permitido cometer muitos excessos como uma despedida da vida mundana antes da abstinência.

O Carnaval moderno, com desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador dessa festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Santa Cruz de Tenerife, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no Carnaval parisiense para implantar suas próprias festas carnavalescas.

Na Babilônia, o ritual no templo de Marduk era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O rei perdia seus emblemas de poder, era surrado na frente da estátua de Marduk como uma forma de demonstrar sua submissão à divindade e, em seguida, reassumia o trono. Há se pudéssemos viver pelos menos um dia como esse. Hoje, porém, o prefeito só entrega as chaves da cidade para o Rei Momo, um simbolismo, que pena...

Thaiana se prepara para o fim do Carnaval, o encerramento de uma época de festividades, extravagâncias e celebrações. É uma festa conhecida por sua exuberância, onde as pessoas se entregam aos prazeres mundanos, às fantasias e à liberdade efêmera. Durante esse período, as pessoas se permitem escapar das preocupações do dia a dia, mergulhando em uma realidade alternativa de alegria desenfreada. No entanto, essa alegria é passageira, e o fim do Carnaval nos confronta com a inevitabilidade da mudança e da impermanência.

As ruas se esvaziam, os palcos são desmontados, e a euforia dá lugar à serenidade. No entanto, esse período de transição não é apenas simbólico; ele carrega consigo uma profundidade filosófica e espiritual, especialmente quando associado ao ritual das cinzas.

O fim do Carnaval é marcado pelo início da Quarta-feira de Cinzas, um dia que simboliza o início da Quaresma, um período de reflexão, penitência e preparação para a Páscoa na tradição cristã. Durante as celebrações da Quarta-feira de Cinzas, os fiéis recebem uma marca de cinzas na testa, acompanhada da frase bíblica: "Lembra-te que és pó e ao pó voltarás" (Gênesis 3:19).

Essas cinzas representam a transitoriedade da vida e a necessidade de humildade diante da finitude humana. Elas nos convidam a olhar para dentro de nós mesmos, uma reflexão sobre nossas ações, nossos propósitos e nossos relacionamentos. É um momento de avaliação pessoal, de reconhecimento das próprias fraquezas e limitações, mas também de esperança e renovação.  É um momento para examinarmos nossas prioridades, nossos valores e nossas escolhas, e para nos reconectarmos com aquilo que realmente importa.

À medida que as cinzas são aplicadas de maneira simbólica em nossa testa, somos lembrados da nossa mortalidade e da necessidade de vivermos com sabedoria, humildade e gratidão. Que este período de reflexão nos inspira a buscar uma transformação interior, um cultivo de relacionamentos significativos e a vivermos de forma mais consciente e autêntica, não apenas durante a Quaresma, mas em todos os dias de nossas vidas.

Thaiana, renovada como uma borboleta, está pronta para mais um ano a ser vivido com intensidade.

 

Rubens Nascimento, é Jornalista, Bel.Direito e Mestre Maçom.

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