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Agosto Lilás: Feridas Invisíveis


Agosto Lilás: Feridas Invisíveis - Gente de Opinião

Existem dores que não deixam marcas na pele. São cortes silenciosos que se instalam na alma, feridas que não aparecem em exames, mas que corroem a confiança e a vontade de viver. São os maus-tratos invisíveis: o desprezo constante, a crítica ácida, a indiferença calculada.

Em certas relações, não é preciso grito nem soco para esmagar alguém. Basta o olhar que diminui, a palavra que desqualifica, o gesto frio que se repete como sentença diária: “você não vale nada”. E a vítima, aos poucos, acredita. Encolhe-se, perde o brilho, convence-se de que merece o vazio que recebe.

Essas cicatrizes emocionais são cruéis porque não encontram testemunhas. Quem ousa contar, quase sempre ouve: “mas ele nunca te bateu”, “você exagera”, “é coisa da sua cabeça”. Assim, além da dor, vem a solidão. A mulher aprisionada nesse silêncio se culpa, se cala, se esconde.

Violência não é só o que o corpo denúncia. Também é o que a mente suporta em silêncio. A manipulação psicológica, o desprezo cotidiano, a indiferença que corrói, tudo isso é violência. E mata por dentro antes mesmo de matar por fora.

É preciso falar, quebrar o ciclo, dar nome ao que sufoca. Amor não anula, não subjuga, não humilha. O que fere não é cuidado, o que aprisiona não é afeto. A convivência só se sustenta quando fortalece.

Que o lilás deste mês seja lembrança viva de que nenhuma forma de violência pode ser naturalizada. Que ele inspire coragem às mulheres para reconhecerem suas feridas, romperem o silêncio e escolherem recomeçar.

 

CLOTILDE ROCHA

Advogada,  jornalista,  escritora e membro da AJEB - RO)

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