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A revolta da sociedade civil


A revolta da sociedade civil - Gente de Opinião

Cada vez mais as pessoas estão ficando revoltadas e irritadas com a incompetência e a falta de sensibilidade das autoridades estaduais e municipais. Não é à-toa que, em Manaus, os manifestantes, aos gritos de impeachment para o governador, obrigaram deputados a recebê-los e conseguiram abrir o comércio. Algo similar está ocorrendo no Distrito Federal e não se diga que é coisa de povo pouco esclarecido e sem educação. O mesmo aconteceu, por exemplo, na Alemanha, na Dinamarca, na Itália, na França e, recentemente, na Inglaterra. Aqui os sintomas estão aumentando, inclusive com vozes exaltadas contra a “Operação Restrição”. A lógica nos informa que se repetimos o mesmo método obteremos os mesmos resultados. Isto parece não importar para as autoridades públicas (que não tem problemas em receber seus polpudos salários independente do que fazem), pois, junto com uma mídia irresponsável que faz o jogo de interesses que somente podem ser escusos, insistem em querer manter as atividades econômicas paradas. Com que finalidade? É mais do que comprovado que não é o comércio que impulsiona a transmissão do vírus. É mais do que comprovado que a cada 1% que se perde de empregos aumenta em 0,5% o número de mortos por causa do empobrecimento da população. É mais do que comprovado que, depois da fase inicial, o lockdown é inócuo. Não há, já que se fala tanto em ciência, nenhum estudo que comprove a sua eficácia

E, a própria Organização Mundial de Saúde-OMC desaconselha sua adoção para as sociedades onde as pessoas necessitam trabalhar para sobreviver. Não bastasse isto levantamento epidemiológico do covid-19, da última semana, demonstra, com clareza, que São Paulo, quem mais fechou a economia, é, justamente, onde existe maior letalidade e maior número de mortos, praticamente 1/5 do total do pais. Entre os dez primeiros, com maior letalidade, somente Santa Catarina (4º lugar) não adotou um fechamento maior, mas, todos os outros, como Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Pará e Góias foram muito mais severos nas suas medidas e, ao contrário do esperado, não tiveram bons resultados. Rondônia, que adotou um fechamento maior em Porto Velho tem, aliás, na capital, a liderança de mortalidade, mas, aparece em 22º lugar entre os 27 estados do país em termos de letalidade, segundo o governo federal. Não há, cientificamente falando, nada que comprove a eficácia de medidas restritivas fortes, do lockdown. Os estragos econômicos, segundo a própria OMC, são maiores do que o proveito, mas, o que parece, é mais fácil culpar o comércio do que procurar tomar as medidas efetivas de prevenção, que já se provaram efetivas, o controle e acompanhamento do vírus. Não se leva nem em consideração que a letalidade no Brasil é de 0,027 (9 morrem em cada 30 mil dos que contraíram o vírus), mas, só com a queda de 3% nos empregos  derivado da crise já morreram mais de 31 mil pessoas diretamente. Aqui, em Rondônia, 83% das pessoas afirmam que perderam renda e 65% das famílias apontam que dependem das suas atividades cotidianas para sobreviver. É uma situação explosiva. Só, por exemplo, no setor de bares e restaurantes 40% dos estabelecimentos fecharam suas portas e os demais lutam para sobreviver sob o terror de ver a polícia chegar, receber multas e ainda obrigá-los à comparecer as barras da justiça. Agora quem se responsabiliza pela renda perdida, pelos empregos, pela sobrevivência das pessoas? Até quando continuaremos sob a tirania de medidas que não tem, comprovadamente, efeito algum? 

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