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Artigo: O Brasil não merece um mangue partidário



O Brasil já se prepara para mais uma eleição e o quadro partidário pouco ajuda a consolidar o processo democrático que buscamos construir.
O país possui registrados 27 Partidos Políticos.

Provavelmente, nenhum de nós seria capaz de nomeá-los e falar um pouco sobre sua tendência ideológica, principais idéias, membros mais importantes, deputados ou senadores.

Veja o quadro:
PMDB
PTB
PDT
PT
DEM
PCdo B
PSB
PSDB
PTC
PSC
PMN
PRP
PPS
PV
PTdo B
PRTB
PP
PSTU
PCB
PHS
PSDC
PCO
PTN
PSL
PRB
PSOL
PR
 
 
 
 Fonte: TSE (ordem histórica de registro da esquerda para a direita) 
 

Além desses, existem mais 16 Partidos em vias de legalização junto ao TSE.
Temos ainda outros 10 Partidos e agremiações sem registro, mas com cunho político, tipo MR-8, UDR, ...

Um pequeno Estado como Rondônia, por exemplo, possui 24 partidos registrados junto ao TRE. 

É espantoso!!! Quanta diversidade na Amazônia Ocidental. Será que um Estado com menos de dois milhões de habitantes, ou seja, pouco mais de um milhão de eleitores, necessita de tamanho espectro partidário para atender a “duríssima exigência” de seu eleitorado para lá de heterogêneo??!!!

Na realidade, tal quadro retrata um mangue político que dificulta o fortalecimento das cores ideológicas e favorece a bandalheira, o fisiologismo e a corrupção em todos os recantos do país.

A reforma política é fundamental para avançarmos qualitativamente. Esses partidos cartoriais são uma excrescência na sua maioria. Não tem razão de existir por falta de representatividade dentro da sociedade.

Filosoficamente, possuímos poucas correntes capazes de dar sustentação teórica para a constituição de partidos. Fora disso, são diferenças pontuais que não chegam a ser lidas como uma corrente em si.

Assim sendo, para que carecemos ter tantos partidos?

Por qual motivo nosso Congresso é leniente com essa situação?

Os Partidos Cartoriais são balcões descarados de negócio e fonte fértil da promiscuidade política eleitoral. O Fundo Partidário e o tempo de TV, generosamente distribuído entre todos com garantia de cota mínima, tornam-se jóias cobiçadas a serem disputadas pelas grandes agremiações e por candidaturas personalistas que em nada colaboram para a saúde democrática.
 
Não ter tentado a reforma política no primeiro ano do Governo Lula foi um dos maiores erros de nossa ação, entretanto, ela não se faz apenas com a vontade da esquerda. Ela precisa da junção de todas as forças que se misturam no Congresso.
 
O financiamento público de campanha, fidelidade partidária, o voto distrital ou distrital misto, cláusula de barreira com restrição ao acesso rádio/TV e Fundo Partidário, entre outras são algumas premissas para dar mais seriedade a vida partidária no Brasil. 

Eu acredito que é possível chegar lá, mas, para tal, torna-se imprescindível a mobilização popular.
 
Professor David Nogueira
Membro do Diretório PT/RO
Foi Dirigente do Sindicato da Educação RO
 

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