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Artigo: Novos tempos para o setor elétrico de Rondônia


 
 
As obras da linha de transmissão Vilhena (RO)-Jauru (MT) foram concluídas, faltando apenas o teste final de sincronização do sistema elétrico de Rondônia ao Interligado Nacional (SIN), para que estejamos integrados à rede brasileira de energia elétrica. Após este evento, estará cumprida mais uma etapa importante da construção de uma sólida infraestrutura energética no estado. Mas, afinal, por que isso é tão importante? 

Quem viveu em Rondônia no início da década de 1990 sabe! Especialmente os moradores das cidades do interior. As frequentes quebras de grupos geradores e, as redes de distribuição precárias, desesperavam donas de casa ao ver sua comida estragar nas geladeiras. E empresários perplexos, enquanto esforçavam-se para recuperar a produção perdida. Enquanto isso, novos investimentos eram postergados ou abandonados, e o desenvolvimento do estado prejudicado. 

A partir da conclusão da Usina Samuel e expansão do “linhão” até Ji Paraná (1995), o setor elétrico estadual empreendeu uma trajetória de recuperação e melhorias expressivas. Atualmente, antes mesmo da interligação ao SIN, aproximadamente 95% do consumo estadual de energia elétrica é suprido, com folga, pelo sistema composto pelo parque gerador hidrotérmico da Eletronorte e uma linha de transmissão (o “linhão”) com cerca de 1.200 km, que se estende entre Vilhena e Rio Branco (AC). Linhas de transmissão secundárias e dezesseis PCHs, conectadas ao sistema da concessionária Ceron, complementam a rede regional, denominada Sistema Acre-Rondônia. Os restantes 5% da carga do estado são supridos por trinta e dois sistemas térmicos isolados, que atendem às demandas de localidades afastadas e não conectadas à rede principal. 

Foi um grande avanço, um ganho significativo para o desenvolvimento do estado e bem-estar da população. E ao qual a integração ao SIN vem acrescentar muito. Maior segurança, confiabilidade, estabilidade e, maior capacidade de expansão quando necessário. Combinada com a construção das hidrelétricas do Madeira, permite-nos assegurar suprimento para qualquer demanda que possa surgir no futuro. Deixando de ser um empecilho ao desenvolvimento, como já foi no passado. 

Toda essa evolução possibilitará às concessionárias ampliar a rede estadual, integrando novas localidades e desativando dezenas de usinas termelétricas a óleo diesel. Assim, a expectativa é que a partir de 2013, restarão apenas doze localidades isoladas no estado. Dentre elas, oito estão localizadas no baixo rio Madeira, e quatro no rio Guaporé. É nesses aspectos que residem algumas questões que devem merecer atenção especial de todos, particularmente das concessionárias dos serviços de energia elétrica do estado. 

Os imprescindíveis investimentos na ampliação das redes de transmissão e distribuição devem assegurar que, não apenas a maioria, se não a totalidade, das localidades sejam conectadas à rede interligada, como que não haja comprometimento na qualidade da energia distribuída. Fazendo com que os “rabichos”, inseguros e desperdiçadores de energia, que proliferam nas periferias das nossas cidades, sejam eliminados da paisagem. Por outro lado, garantindo que a expansão da rede não fique restrita às áreas urbanas, mas que se estenda por toda a área rural, onde reside a maioria dos não consumidores não atendidos no estado. Vale dizer, fazendo cumprir as metas do Programa Luz para Todos. 

Quanto às doze localidades do baixo rio Madeira e Vale do Guaporé, todos os esforços devem ser realizados para integrá-las à rede com a maior brevidade. Não sendo factível tal solução, deve ser buscada uma outra que não dependa de óleo diesel. A queima de diesel, além de cara é poluidora, gerando gases do efeito estufa, a exemplo do gás carbônico. Por outro lado, os subsídios da CCC para queima de combustíveis fósseis serão extintos até 2023, por força de lei. 

Baseado na geração hídrica, fonte limpa e renovável, como é a característica do sistema interligado nacional, reforçada pela produção das hidrelétricas e PCHs de Rondônia, é desejável que o mantenhamos assim, sempre que possível livre do uso de combustíveis fósseis.

Fonte: Antônio Marrocos

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