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Artigo: NASCER, CRESCER E MORRER


 
Bruno Peron Loureiro

 Guardo na memória a imagem de um feto em vidro que vi por vez primeira numa feira de ciências de um colégio onde estudei os primeiros anos do ensino fundamental. Imagem que, naquele momento, assombrou e impressionou. Realidade que passa a ser conhecida.

Não a chamo descoberta, pois ela está aí presente em sua banalidade, já fomos feto e muitos outros serão, até que a conhecemos e reconhecemos como tal. O apelo é de que não façamos do nascer, crescer e morrer um processo medíocre e reducionista. Podemos ser e fazer muito mais do que um mero processo biológico.
 
Um rouba, maltrata, pilha, denigre, fofoca, maldiz, odeia, inveja, fraqueja, agoura, suja, queima, condena, frustra, ilude, esbraveja; entorta o lápis só de escrever estas palavras. Outro ama, apóia, aporta, colabora, coopera, realiza, tolera, perdoa, inova, insiste, agrada, compreende, espera, planeja, trabalha. Ufa, que energia boa.
E que desperdício seria só nascer, crescer e morrer. Se a natureza é complexa, por que teríamos que ser tão simples. Mais ainda e conforme quis dizer no parágrafo anterior, que lástima seria aproveitar mal esta oportunidade biológica.
 
Redigi este texto a partir do título, o que não é de costume. A proposta inicial era escrever algo sobre religião, ou melhor crenças, ou melhor convicções. No entanto, nada como tocar no assunto com distância referencial e proximidade ideológica, uma vez que sou chamado de cético para tudo, mas no fundo tenho alguma crença.

Ainda assim, é saudável olhar ao longe porque algo mais conseguimos enxergar lá no fundo. A minha crença é no potencial do povo brasileiro, no desenvolvimento do país, no fortalecimento das instituições e, principalmente, no que cada um pode fazer para que isto aconteça sem depender completamente de decisões alheias.
 
Duas características percorrem freqüentemente meus textos: uma é a favor da valorização do coletivo, que permite maior reconhecimento e respeito entre os cidadãos; outra é a percepção de que qualquer pessoa pode alcançar grandes e portentosas realizações, desde que queira, projete e se esforce.

Não é preciso estar no poder para apoiar a comunidade e ser um cidadão exemplar, nem na televisão para defender bons princípios e valores enquanto alguém chora por expurgo sentimental. O mundo precisa de pessoas poderosas e célebres de espírito.
 
Uns seguem o mero processo biológico de nascer, crescer e morrer. Reducionismo da existência. Ou desperdício. A outros, porém, não lhes convém tamanha simplicidade evolutiva, senão que expandem o processo a fim de entendê-lo também como uma oportunidade de apoiar, cooperar, desenvolver, promover, realizar, sustentar, e mais.

Quanto a isto, penso no povo brasileiro e no país. Que orgulho tenho de ser brasileiro. Que inveja têm os outros povos de que sou brasileiro, pois me empurram a falsa crença de que é um país que não dá certo. Assim, não me resta outra alternativa senão ser otimista e divulgar o estado de ânimo.

Se a imagem do feto em vidro causa assombramento na infância, a apatia assombraria o restante do processo. Coisas que impressionam.

Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais – UNESP (Universidade Estadual Paulista).

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