Sábado, 19 de agosto de 2006 - 08h31
Na edição de 5ª feira, do Diário da Amazônia, nesta coluna, lemos o feliz artigo de autoria do amigo Sérgio Ramos, discorrendo sobre o espetáculo teatral O Homem de Nazaré, o qual, segundo ele, foi um fracasso de público, (nos três dias de apresentações). Na verdade o declínio no quantitativo de público na Jerusalém da Amazônia, já se faz notório nos últimos anos. Se observado pelo prisma da visão maximizada, veremos que, este espetáculo parecia (há bem pouco tempo) figurar como o pano de frente, estampando e versando, noutros fronts, em favor da arte e da cultura aqui trabalhadas. Acontece que não vemos ser possível, elevar e manter no olimpo do sucesso e da sedimentação, trabalhos onde sejam imperativos os sentimentos da vaidade, improviso e personalismo, muito embora, alguns desses sentimentos sejam evidentes em certas divindades.
O grupo aproveitou mal, os dividendos da parceria com canal Amazonsat. A peça o Homem de Nazaré, por seus produtores e diretores, deveria ser pensada como um robusto acontecimento e se fazer valer do objeto do planejamento, para habitar com destaque e firmeza o espaço merecido.
O grupo Êxodo não trabalha uma relação de proximidade com cast teatral da cidade, renegando os atores profissionais, diretores e produtores, detentores de formação, conhecimento e experiência e, tão pouco, investe na capacitação daqueles que abnegadamente atuam fazendo o sucesso alheio. Os pequenos, porém importantes, pontos de transformação e avanço, inseridos ao espetáculo, foram deixados de lado impedindo investidas audazes, extraindo do teatro a possibilidade do objeto questionador, congelando cenas a um passado que teimosamente se busca repetir. O plano cênico, volta-se para uma releitura decana que não inova a fala e o texto, não desafia o convencional, não se lança de encontro ao novo. Quem, há cinco anos, assistiu o espetáculo, sabe de cor o texto de determinados personagens, inclusive os seus trejeitos. Se pegarmos as cifras anunciadas, pelos poderes públicos, para cobrir os custos desta produção e, dividirmos pela quantidade de público, chegaremos a um custo direto, por pessoa, pra lá de desproporcional, exorbitante. Sem contar ainda que, os poucos que se aventuraram até a cidade cenográfica, levaram 1 kg de alimento não perecível como ingresso (idéia louvável).
O Grupo Êxodo, por sua vez, ensimesmado, parece mais e mais, mergulhar fundo na incerteza das águas turvas de seu próprio Jordão. O que antes fora o farol sinalizador das nossas boas e qualitativas produções culturais a Peça O Homem de Nazaré - arde por novas luzes que lhes aponte o caminho da reengenharia cultural. Como não se pode dissociar o espetáculo cultural da política administrativa/social do Grupo Êxodo, sou congênere ao Sérgio Ramos, manifestando preocupações com o futuro do Jesus de casa.
Fonte: Altair Santos (Tatá): O autor é músico, produtor cultural (Diretor Deptº Arte Cultura Fundação Iaripuna)
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