Terça-feira, 17 de fevereiro de 2009 - 06h11
*Prof. Diogo Tobias Filho
Octávio Paz, escritor mexicano e prêmio Nobel de literatura, disse em certa ocasião que as massas mais perigosas são exatamente aquelas que têm medo de mudanças. Partindo desta propositura, as massas rondonienses encaixadas neste perfil não terão o que temer, afinal de contas, perspectivas de mudanças por aqui, talvez somente no final de 2010, quando Ivo Cassol, para alívio dos trabalhadores em educação e para a tristeza de apaniguados nos cargos de confiança, deixar o comando do Estado.
Começamos o ano letivo de 2009, tal qual vivenciamos anos anteriores. Nenhum projeto significativo à vista, desesperança de valorização dos professores e servidores de apoio, relações democráticas nas escolas praticamente exterminadas, vozes silenciadas pela arrogância entre tantos outros reveses. Há ainda um ingrediente desastroso: certo deputado, provavelmente por falta do que fazer, aprovou um "projeto" para iniciar as aulas em março, sem nenhuma justificativa plausível. Creio que é apenas uma forma de intimidar o Sintero e jogar professores contra a sociedade, na possibilidade de comprometer o calendário escolar em caso de paralisação.
Negociar com a Sra. Marli Cahula é semelhante a enxugar gelo, até porque, sem autonomia como gestora, não ordena nem decide absolutamente nada. Seu grande mérito intelectual que a faz assumir o cargo é o fato de ser casada com o Vice-Governador. O adjunto Pascoal torna-se menos insignificante, porque faz jus aos seus robustos vencimentos abrindo cursos e encontros da Seduc no Hotel Rondon. De qualquer forma, greve com este governo, tornou-se um instrumento enlanguescido por vários motivos. Há inúmeros professores emergenciais, sempre avisados que em caso de aderir a movimentos grevistas, suas cabeças serão inexoravelmente cortadas, soma-se o próprio desprezo do governador pela educação como instrumento de prosperidade financeira e ascensão social, visto que, como ele mesmo apregoa, a educação é desnecessária para se alcançar riqueza e poder.
Neste interim, nada de novo em 2009 nos espera. Apenas mais um ano que passará às margens plácidas do rio madeira, sem planejamento de vulto para médio ou longo prazo, sem melhorias estruturais nas escolas, sem gestão participativa; olhamos com dissabor, diretores sem autonomia e servidores a cada dia sem eira nem beira. Quisera eu que Fundeb por aqui significasse fundo de erradicação da burrice.
Por seu turno, o grande enigma da sociedade rondoniense será quo vadis, populli? Os desejosos por mudanças terão mais uma chance de soltar a voz pelas estradas da floresta, contra a opressão palaciana sem lhes importar quem os queira ouvir. Mas as massas com medo de mudança terão outra obrigação: eleger o blandicioso Ivo Narciso Cassol o flagelo da educação - senador da república. Quanto a mim, vou continuar lendo Octávio Paz, mesmo que não fique rico.
O autor é professor de filosofia em Ji-Paraná (digtobfilho@hotmail.com)
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