Segunda-feira, 14 de julho de 2008 - 13h00
Por que dura tanto o sono do nosso país enquanto outros aproveitam o pouco de recursos que têm para estar na dianteira?
O Mercado Comum do Sul não transcende muito o âmbito econômico, o poder de compra da maioria da população continua baixo e baseado em créditos, regiões do país não recebem o incentivo necessário do governo, o investimento em educação cidadã é insuficiente, a desconfiança da política e dos políticos tem sido tema recorrente. O país tem reagido por conformidade e não por espontaneidade. Tenho uma visão otimista do Brasil, mas me decepciona o pouco que se tem trabalhado a favor do coletivo.
O Brasil tem que projetar, construir e colher os resultados, que vêm cedo ou tarde. Nenhum outro país fará por nós o que é a nossa tarefa: que os brasileiros possam orgulhar-se do que são e viver bem de acordo com o enorme e invejado potencial de desenvolvimento que tem este país. Basta de ver até onde os japoneses e coreanos chegaram com o pouco de recursos que possuem, ou que a história recente dos Estados Unidos em relação à brasileira os tenha colocado como o país mais avançado do mundo.
Eles estão fazendo o que sempre tivemos condições de fazer: crescer, desenvolver, investir, aproveitar as chances, formar e informar, crer e concretizar.
O que falta é iniciativa com um pensar coletivo, onde se tenha em consideração toda a sociedade desde o mais pobre ao mais rico, medidas que deem oportunidades de realização ao maior número, e decisões que tirem o Brasil de sua posição tímida no mundo a ponto de mostrar o que é, o que possui e o que pode fazer para o bem-estar da população para que seja o exemplo. A "Lei Seca", que proíbe a ingestão de bebida alcoólica por quem esteja no volante, surgiu tardiamente no Brasil, pois é evidente que quem bebe não deve dirigir.
O Brasil já foi nomeado pela metáfora "gigante adormecido", que poderia ser usada ainda hoje por ter todas as condições, mas faltar boa vontade para realizar o sonho de ser potência. Melhor que sonho é o processo natural que o Brasil merece. Quando se avalia todo o potencial do país, é triste diagnosticar que ainda germina, como quando uma análise clínica se desanima com o descuido da saúde de um paciente que se mostrava tão robusto e prometedor. Se a situação está aquém do que se poderia alcançar, podemos cobrar de quem não faz e fazermos nós.
Enquanto isso, o Brasil responde às urgências do meio mais como reação que ato espontâneo. Se o país está em crise, é urgente uma política econômica que o tire desta situação; se a soberania é ameaçada pela Área de Livre Comércio das Américas, é urgente reforçar o Mercado Comum do Sul ou projetar a União das Nações Sul-americanas; se a corrupção tornou-se insustentável, é urgente a medida de criar Comissões Parlamentares de Inquérito para averiguar a situação. Tudo isso, porém, tem sido feito em caso de reação e urgência.
Portanto, o nosso país não anda na contramão, mas tampouco segue o tráfego como deveria. O ato reflexo é o fenômeno biológico que faz alguém reagir com um movimento involuntário quando é golpeado no joelho ou toma um susto, por exemplo. Uma reação de defesa do organismo, que age antes que o pior aconteça. Nosso país é assim: tem condições, capacidade e gente de idéias, mas só faz o que tem que ser feito quando é a última solução. Persiste aquele velho debate entre o que é e o que deveria ser.
Fonte: Bruno Peron Loureiro é latino-americanista.
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