Porto Velho (RO) domingo, 25 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Artigo: A segurança pública caiu no buraco



Apenas para não nos perdemos em discussões estéreis, fica pacificado que a violência urbana é um problema nacional e que é competência do estado a adoção de políticas públicas para reduzi-la a níveis suportáveis. Fenômeno ou doença social – irrelevante aqui – é dever do estado identificar causas e atuar não apenas com investimentos para as forças de combate e repressão. Prevenção. Esse é o ponto em que as políticas públicas devem se basear, focando itens como educação, esporte, lazer, geração de emprego e renda, fomento e apoio ao micro empresário – o grande gerador de postos de trabalho – e investimentos em obras voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população. A receita é fácil, os ingredientes estão disponíveis – a carga tributária está próxima dos 40% – mas, na cozinha faltam cozinheiros competentes e comprometidos com a execução. No lugar do feijão com arroz a preocupação é com instalações, panelas, condimentos e receitas exóticas. Sem o inventário de causas e soluções, a violência explode nas ruas de todas as cidades e o que deveria ser tratado "a priori" transforma-se literalmente em "caso de polícia" ou "comida azeda". Salvo raras exceções, nossa polícia atua como departamentos estanques, mesmo e se, sob um mesmo comando. De um lado a polícia civil encarregada das investigações para elucidação de crimes e da burocracia dos inquéritos. Do outro lado a polícia militar, com o policiamento ostensivo, cujo valor maior é a hierarquia. Na formação de ambas estão valores e técnicas ultrapassados. A inteligência – como função policial – ainda é um sonho mas a hierarquia pesada continua sendo um pesadelo. Num ambiente assim, a insatisfação é constante, os resultados são pífios e a corrupção encontra campo fértil para se alastrar. Ao mandatário de plantão resta nomear um "secretário de segurança" e trocá-lo vez por outra, sempre pelo mesmo motivo. Some-se a tudo isso a nossa estrutura federativa formada por união, estados e municípios e a perversa forma de arrecadação e distribuição de impostos, para termos a certeza de que – também na segurança pública – a tal receita sairá salgada ou insossa. Os municípios – onde residem os cidadãos e onde a violência campeia – recebem 5% dos impostos arrecadados. Os estados ficam com 20% e a união fica com a parte do leão – 75%. Ao município cabe resolver seus graves problemas – de segurança inclusive – com a merreca que lhe é repassada e implorar aos estados e à união que o ajudem na quase impossível tarefa. Ocorre que a preocupação dos que estão no topo da cadeia do poder é diferente daqueles que estão com os pés no barro. Porto Velho – como as demais cidades de Rondônia – vive esse drama. Na capital, seu prefeito é cobrado por "não ter feito o dever de casa", asfaltando as ruas para que as viaturas da polícia possam transitar sem o risco de cair nos buracos. A equação é risível: falta segurança porque sobram buracos. Ora,  o que vale para Porto Velho, deveria valer também para as favelas nos morros do Rio de Janeiro, onde não existem ruas mas, há ação da polícia. Sem asfalto, sem segurança, é a máxima do governador. Os buracos existem por causa das chuvas, responde o prefeito. De minha parte, tanto faz que Cassol mantenha o seu secretário de segurança, como tanto se me dá que Sobrinho mantenha seu secretário de obras. O problema e a responsabilidade é de cada um deles mas, quero como todo mundo, viver com segurança. Dos buracos por enquanto, eu me livro sem ajuda. Dos bandidos, sem a polícia, é impossível.

Fonte: Léo Ladeia
leoladeia@hotmail.com

Mais Sobre Opinião

O bom do silêncio

O bom do silêncio

Bolsonaro disse que não adianta exigir dele a postura de estadista, por que não é estadista.

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.