Quinta-feira, 19 de agosto de 2010 - 18h01
Por: Altair santos (Tatá)*
Choram os olhos, lágrimas a rolar
Os floridos ipês mal dá pra avistar
É agosto cinzento, é fumaça no ar.
Fulo da vida, eu só queria enxergar.
O céu e o sol, bem se sabe estão lá
Que saudade do azul, do astro rei a brilhar
E do outro lado da rua, quem vem? quem vai lá?
É agosto cinzento, é fumaça no ar
Fulo da vida, eu só queria enxergar.
Lá do alto mirante, nem o rio, nem o barco, nem gaivota a voar
E eu enfumaçado, tonto a procurar
É agosto cinzento é fumaça no ar
Fulo da vida, eu só queria enxergar.
Passou bela moça, com o seu requebrar,
Da calçada ali perto, sem poder contemplar
Fico eu pelejando, só querendo espiar
Lá se foi flor menina, será que aqui vai voltar?
Arde o lho da gente, semáforo a chorar
Piscando pro motorista que não pode passar
Onde tem um ar puro pra gente respirar?
Lê pra mim essa placa, já nem sei soletrar
É agosto cinzento, não dá pra enxergar.
Roda, roda avião, tu não pode pousar
Lá de cima parece que pista não há,
Pra chegar só de ônibus via Ji-Paraná
Se a fumaça da estrada, por acaso deixar
É agosto cinzento, não da pra enxergar.
Cachorro louco do mês, deve ter ido passear
Botar colírios nas vistas pra depois vadiar
E eu aqui nesta mesa, sem poder enxergar.
Manda uma Zizi, pra’eu poder relaxar
É agosto cinzento e não dá pra enxergar.
Apagaram as estrelas sem nem avisar
Meia fase na lua só pra enganar
Black out em São Jorge, pro dragão escapar
É agosto cinzento é fumaça no ar
Fulo da vida eu só queria enxergar.
Antes de tu meter fogo
Um recado vou dar
Faz um drinque de isqueiro
Com palito a queimar
Engole junto ao cigarro
Pra te saciar, incendiário da peste
Que não me deixa enxergar.
(*) O auto é músico e presidente da Fundação Cultural Iaripuna.
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