Sábado, 11 de janeiro de 2025 - 14h17

A posse em um cargo
público é um momento singular na carreira de um político, pois é o ato de
investidura no cargo. Nos meus quarenta e três anos como servidor da Câmara
Municipal de Porto Velho, vinte dos quais prestando assessoramento ao plenário,
poucas vezes vi tanta euforia numa solenidade de posse como na dos vereadores eleitos
no pleito de 2024.
A felicidade estava
estampada nos sorrisos, de orelha a orelha, abraços, demorados apertos de mão,
tapinhas nas costas e muita, mais muitas poses para fotos. Tanta alegria pode
ser comparada à criança que rever os amiguinhos de colégio na volta às aulas
depois das férias escolares. É justificável. Afinal, ganhar uma eleição nem
sempre é uma tarefa fácil.
Agora que todo
mundo foi empossado é hora de arregaçar as mangas e mostrar serviço. É preciso
impressionar o eleitor. Chegou o momento de começar a transformar em realidade
as promessas de campanha. E não foram poucas.
A partir de hoje, novos e antigos representantes da Câmara Municipal têm
enorme desafio pela frente, começando por tentar mudar o conceito nada
favorável que o Legislativo Municipal desfruta junto à população de Porto
Velho. Isso ficou evidente no desinteresse de parcela expressiva da população
pelo funcionamento daquela Casa de Leis na legislatura passada. Esse conceito
não é nada positivo para a democracia.
O vereador é o
agente político mais próximo da população. É trivial dizer-se que o cidadão
mora no município. Isso transforma os representantes municipais em mediadores
diretos dos interesses, agruras, sofrimentos e aspirações dos moradores da
cidade. Por isso, é natural que se espere deles atuação visceralmente orientada
pelos sentimentos populares, não por contendas menores ou anseios e apetites
particulares.
A Constituição
Federal estabeleceu autonomia e harmonia entre os poderes. Na legislatura
anterior, a harmonia não conseguiu superar certa tendência à submissão e a
autonomia foi confundida frequentemente com o atrelamento ao executivo. Os
empossados no dia 1º de janeiro terão como primeiro teste o abandono dessa
posição, que em nada concorre para a educação política ou o fortalecimento da
democracia.
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