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A situação não está para brincadeira


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

Sempre que uma tragédia se abate sobre a população, autoridades brasileiras ocupam espaços privilegiados de jornais (impressos e eletrônicos), rádio e televisão, não para dizer o que a sociedade espera ouvir delas, mas para falar aquilo que elas entendem que a população deveria ouvir. Procuram, com discursos recheados de mentiras, convencer a sociedade de que a desgraça é obra do acaso, jamais da incompetência oficial. Apostam na ingenuidade de uns poucos, na asnice de outros tantos, e desprezam a inteligência da maioria do povo, que não acredita em contos de fadas.

Isso ocorre nas mais diferentes áreas de governo, porém é na segurança pública que esse tipo de conduta se revela com mais intensidade. Quando o assunto é criminalidade, a cidade de Porto Velho aparece no topo das capitais mais violentas do país. Mesmo sem apresentar argumentos convincentes, autoridades responsáveis pelo setor discordam. Alguns preferem ignorar o que acontece em nível local, ou seja, no quintal de nossa própria casa, por assim dizer, a voltarem os olhos para o que ocorre em outras regiões do Brasil, e até fora do país. Talvez, por isso mesmo, muitos acham que as más notícias são uma particularidade de outros lugares. Afinal de contas, é mais fácil, por exemplo, admitir que a cidade do Rio de Janeiro vive uma espécie de guerra civil nos morros, fortemente controlados por traficantes, do que imaginar algo mais ou menos equivalente sendo praticado na cidade de Porto Velho.

Quem assim pensa pode estar cometendo um terrível erro de avaliação, conquanto devemos reconhecer que a situação, aqui, ainda não fugiu completamente ao controle da autoridade policial. É fato, contudo, a desordem, o pânico e o estrago causados a muitas vidas inocentes, como mostra o noticiário a cada dia. As policias (civil e militar), reconheça-se, até que se têm esforçado para levar um pouco de tranquilidade aos lares porto-velhenses, mas a situação não está para brincadeira.  

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