Quarta-feira, 1 de maio de 2024 - 10h00

A rotina de acordar cedo, vencer o calor, a chuva, e as dificuldades que surgem pelo caminho, é enfrentada por mais de 800 feirantes credenciados para atuarem nas feiras livres de Porto Velho, vendendo alimentos e mercadorias frescas.
Entre esses comerciantes está Claudenilson José da Silva. Seu Nilson, como também é chamado pelos clientes, trabalha em diversos pontos da capital, nas feiras livres que acontecem de terça a domingo.
Plantar, colher e vender o fruto da Amazônia é o que garante o sustento dele e de toda a família há mais de 30 anos. O trabalho iniciou com a colheita dos frutos e a venda para outros produtores. Ali, Nilson teve uma visão empreendedora e decidiu investir na venda de açaí nas feiras livres, atraindo milhares de consumidores todos os dias.
“Eu morava no sítio, e para ajudar meus pais eu tirava açaí, colhia e mandava pra cidade para ajudar eles. Aí eu vinha receber o dinheiro da fruta, e eu via aquela movimentação e pensava 'opa, isso aqui vai dar certo', aí comprei minha máquina”.
No início, o feirante participava apenas da feira que acontece no Cai n’Água. Depois de ver o fluxo de pessoas na feira, que é a mais movimentada de Porto Velho, ele decidiu participar de terça a domingo, levando o açaí para outras zonas da cidade.
“Eu morava no sítio, e só participava de uma feira por semana, que era domingo no Cai n’Água. Aí eu vi o movimento e comecei a participar dessa aqui na Nicarágua, aí depois fui indo para os outros locais. Eu comecei a participar das feiras em 1997, há 27 anos, e tem 33 que eu mexo com açaí”, compartilhou.
A rotina para o produto chegar às bancas é árdua: o feirante acorda às 3h30 da manhã, peneira o açaí, higieniza e faz o choque térmico nos frutos, para evitar contaminações e transmissões de doenças como a Chagas. Diversas pessoas participam do serviço, entre tiradores, trabalhadores responsáveis por retirar os frutos das árvores, e os familiares, que ajudam na venda do açaí.
“O principal do açaí é a qualidade, e foi por isso que eu ainda não montei a minha loja, porque eu trabalho de manhã e aí à tarde vou pro barco buscar os frutos. Eu tenho 17 tiradores, aí chego lá e verifico o açaí todinho, se está boa a qualidade da fruta para poder bater. Minha rotina é dura, eu levanto 3h30, peneiro o açaí, lavo ele, levo para a água quente, também para água com gelo, e depois eu venho pra feira”.
Hoje, muito mais que um negócio, o açaí se tornou o sustento da família, e emprega sobrinhos, filhos e netos, cada um exercendo a sua função e contribuindo para o perpetuamento do negócio, demonstrando como o empreendedorismo e o espírito trabalhador podem transformar vidas e famílias.
“Na feira de sábado eu costumo vender em média 750 litros, já no domingo são 1000 litros. Essas são as duas feiras mais fortes, as outras são mais fracas. O açaí pra mim é tudo, primeiramente Deus, mas o açaí hoje em dia tá sendo mundial, a qualidade, tá dando muito certo”, comemora o trabalhador.
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