Sábado, 7 de março de 2026 - 08h15

Em um ambiente historicamente marcado pela presença masculina, Euzenir Gomes construiu sua trajetória profissional na ferrovia, tornando-se exemplo de dedicação, competência e coragem. Seu trabalho na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré representou mais do que o exercício de uma função: foi um ato de afirmação feminina em um espaço tradicionalmente ocupado por homens.
Euzenir integrou uma geração de mulheres que romperam barreiras e ajudaram a consolidar a presença feminina em setores estratégicos da economia da região. Ao atuar na ferrovia, contribuiu diretamente para manter viva uma instituição que não apenas transportava cargas, mas também conectava pessoas, culturas e impulsionava o desenvolvimento da região Norte do Brasil.
Protagonismo feminino
Ela trabalhou por quase 20 anos no setor de gestão de pessoas, iniciando como escriturária e chegando ao cargo de oficial de administração, no Prédio do Relógio, onde funcionava a sede administrativa da ferrovia. Hoje, aos quase 88 anos, relembra com emoção o período em que atuou na histórica ferrovia, patrimônio que marcou o nascimento e o desenvolvimento da capital rondoniense.
Euzenir iniciou como escriturária e chegando ao cargo de oficial de administração, no Prédio do Relógio“Eu cheguei à região quando tinha 14 anos. A ferrovia foi o meu primeiro trabalho. Naquela época, as mulheres eram tarefeiras. Eu trabalhava na gestão de pessoas, o que hoje chamamos de RH. Por isso, viajei muito de trem até Guajará-Mirim, acompanhando os trabalhadores e enfrentando as dificuldades da região. Vivi muitas histórias que guardo na memória até hoje”, relembra.
Natural do Maranhão, sempre foi determinada. Enfrentou desafios e conquistou seu espaço em um ambiente que exigia disciplina, responsabilidade e comprometimento. Foi em Porto Velho que se casou e constituiu família. Ela destaca que viveu um período marcante, em que as mulheres começaram a conquistar direitos e ampliar sua participação no mercado de trabalho.
“Eu me sinto feliz com minha trajetória como mulher. Lembro de uma época em que a gente não podia nem votar, estudar e muito menos trabalhar. Mas, aos poucos, fomos conquistando nossos espaços. Hoje, a mulher pode ser o que quiser, e eu tenho muito orgulho de dizer que trabalhei na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré”, conclui.
Memória viva da cidade
Ao longo dos anos, Euzenir acompanhou transformações importantes na cidade e na própria ferrovia. Mais do que funcionária, tornou-se guardiã de histórias que hoje integram a memória coletiva porto-velhense. Suas lembranças ajudam a manter viva uma época em que o apito das locomotivas marcava o ritmo da cidade e simbolizava progresso e integração regional.
A trajetória de Euzenir representa o protagonismo feminino na construção da história local. Sua presença na ferrovia simboliza a força das mulheres que contribuíram diretamente para o desenvolvimento social e econômico de Porto Velho. Sua experiência reforça a importância de valorizar não apenas o patrimônio físico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas também as pessoas que ajudaram a construir e preservar esse legado.
Nas fotos em preto e branco, estão as lembranças de uma época que jamais será esquecida e que é guardada com carinho. Para o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, Euzenir Gomes e todas as mulheres que, com trabalho e determinação, ajudaram a escrever a história da capital merecem reconhecimento e homenagem.
“Preservar a memória da ferrovia é também reconhecer a contribuição feminina na construção da identidade e do desenvolvimento do município. Nossa gestão é pautada na valorização da nossa história. Tanto a Estrada de Ferro quanto a cidade de Porto Velho tiveram mãos de mulheres que ajudaram a construir a nossa identidade”, afirmou o prefeito.
Sábado, 7 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
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