Sexta-feira, 31 de julho de 2009 - 11h35
O estado de calamidade pública a que chegou a área da saúde no município de Guajará-Mirim foi constatado também pela Diretoria do Conselho Regional de Farmácia em Rondônia e Acre (CRF-RO/AC), durante inspeção realizada por Paulo Sá Barros e Silvana Andrade, do Setor de Fiscalização do Conselho.
Em visita realizada ao Hospital Regional os representantes do CRF constataram a precariedade, começando pela estrutura e falta de responsáveis técnicos na farmácia e laboratório.
Ao tomar conhecimento, a presidente do CRF, Ana Caldas, lamentou que um setor vital para a humanidade seja desprezado pelo Poder Público e de imediato repassou as informações à conselheira federal para Rondônia e Acre, Lérida Vieira, diretora secretária-geral do Conselho Federal de Farmácia (CFF). "O CRF já atuou várias vezes, inclusive judicialmente, no sentido de reverter esta situação, considerando a importância do farmacêutico e bioquímico para uma unidade de saúde, onde não apenas o medicamento, mas também a dosagem correta é fator preponderante para o restabelecimento da saúde do paciente", afirmou a presidente do CRF.
Ana Caldas observou que as fiscalizações do Conselho sempre apontaram irregularidades nos estabelecimentos de saúde do município de Guajará-Mirim, onde a Maternidade está prestes a fechar em função da falta de repasses financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) como consequência das irregularidades.
A diretora secretária geral do CFF, Lérida Vieira, lembrou que o processo de descentralização da Assistência Farmacêutica, ao promover a gestão local dos recursos financeiros e da operacionalização na aquisição de medicamentos, representa um avanço na organização do SUS e, ao mesmo tempo, deixa evidente os limites e dificuldades concernentes ao seu processo de implantação. "A falta de organização e estruturação dos serviços farmacêuticos eleva os gastos com aquisição de medicamentos, produtos e serviços. Uma gestão eficiente necessita de pessoal qualificado e estrutura mínima adequada. Como pode um município ter uma assistência farmacêutica qualificada, com a promoção do uso racional dos medicamentos, se não tem no seu quadro de recursos humanos o farmacêutico responsável pela política de medicamentos?", questionou, completando que grande parte dos municípios que possuem qualidade na gestão em saúde organizou a assistência farmacêutica e possuem no organograma da Secretaria Municipal de Saúde um Departamento de Assistência Farmacêutica ou Gerência de Assistência Farmacêutica.
Lérida Vieira explicou que a implantação de uma política de assistência farmacêutica visa garantir a oferta de um serviço público de saúde de qualidade como preconizado pelo SUS, e é fator indispensável para a promoção do uso racional dos medicamentos. "Ampliar o acesso e garantir o uso racional dos medicamentos são alguns dos desafios dos gestores que realizam as políticas de saúde com responsabilidade e respeito aos cidadãos, pois aumentar os recursos para compra de medicamentos sem organizar e estruturar os serviços de assistência farmacêutica é aumentar os riscos de desperdício", disse, completando que é na dispensação de medicamentos que o farmacêutico presta um grande serviço social. "A ausência dos serviços farmacêuticos, nas farmácias públicas e privadas, representa um risco à saúde pública, pois o uso incorreto dos medicamentos é uma das maiores causas de intoxicações no Brasil. E grande parte desse problema tem origem na automedicação irresponsável, realizada sem a orientação do farmacêutico", concluiu Lérida Vieira.
Fonte: Veronilda Lima
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