Porto Velho (RO) sexta-feira, 3 de abril de 2020
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Papa Bento 16 promete medidas contra pedofilia



O papa Bento 16 se encontrou neste domingo com supostas vítimas de abusos sexuais de padres em Malta e afirmou que a Igreja fará o possível para punir os culpados. 

BBC Brasil

O papa também disse "expressar a sua vergonha e tristeza pelo sofrimento das vítimas e de suas famílias", de acordo com um comunicado do Vaticano.

O encontro aconteceu no fim da visita do papa a Malta, a primeira viagem internacional desde o mais recente escândalo de abusos sexuais de padres católicos na Europa e nos Estados Unidos.

Três padres foram acusados de abusar de crianças em um orfanato de Malta durante os anos 80 e 90.

"O Santo Padre se encontrou com um pequeno grupo de pessoas que foram abusadas sexualmente por integrantes do clero", diz o comunicado da Santa Sé.

"Ele rezou com eles e os assegurou de que a Igreja está fazendo e continuará fazendo tudo em seu poder para investigar as alegações e levar à Justiça os responsáveis pelo abuso e implementar medidas eficazes para proteger jovens no futuro."

"No espírito de sua recente carta aos católicos da Irlanda, ele rezou para que todas as vítimas de abuso do mundo experimentem cura e reconciliação, possibilitando-lhes seguir em frente com esperança renovada."

Ainda neste domingo, o arcebispo Paul Cremona, representante máximo da Igreja Católica na ilha, fez um comentário interpretado como ousado, enquanto o papa rezava uma missa para milhares de pessoas no centro de Valletta.

"A Igreja precisa reconhecer os pecados e fracassos de seus integrantes", afirmou o arcebispo.

"Não podemos apenas nos apegar ao modelo de igreja ao qual estamos acostumados há décadas."

Menções indiretas

As declarações foram as segundas de autoridades de Malta a tocar, ainda que indiretamente, no escândalo de pedofilia que abalou a comunidade católica da ilha.

Na primeira, o presidente maltês George Abela, falou do escândalo indiretamente ao dar as boas-vindas a Bento 16, ainda no aeroporto.

A República de Malta, cuja população é fortemente católica, não tem uma religião estatal, disse ele.

Em seguida, Abela se referiu ao processo que corre atualmente em um tribunal maltês, em que três padres católicos são acusados de ter abusado sexualmente de 10 homens malteses quando eram crianças, em um orfanato católico.

“É preciso que seja visto que a Justiça foi feita”, disse o presidente ao papa.

O papa Bento 16 está fazendo uma peregrinação em que segue os passos de São Paulo. Seu voo foi um dos poucos a deixar a capital italiana, Roma, no sábado, em meio ao caos aéreo provocado pela nuvem de cinzas cuspida por um vulcão na Islândia.

Em um rápido comentário para os jornalistas a bordo do voo no sábado, o papa falou vagamente sobre pecados que feriram a Igreja.

“Malta ama Cristo que ama sua Igreja, que é seu corpo, mesmo se esse corpo foi ferido por nossos pecados”, disse ele.

A breve visita a Malta foi planejada, originalmente, como uma peregrinação em memória do naufrágio de São Paulo na ilha mediterrânea, no ano 60.

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