Porto Velho (RO) domingo, 18 de agosto de 2019
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ONG brasileira oferece dança e capoeira a favela de Porto Príncipe


 
Vitor Abdala

 
Porto Príncipe - Em amplo terreno na localidade de Bel Air, na capital haitiana Porto Príncipe, funciona a sede da organização não governamental Viva Rio Haiti, uma espécie de subsidiária da ONG carioca, criada entre 2006 e 2007. Lá, o português é uma das línguas mais faladas.

Entre outras atividades oferecidas pela organização estão oficinas de capoeira e dança para crianças e jovens haitianos da região de Bel Air, considerada uma das mais perigosas de Porto Príncipe. Entre os alunos da oficina de dança está Eliana Brignol, de 11 anos, moradora de um acampamento desde que o terremoto de janeiro destruiu a casa onde vivia.

A menina conta que começou a frequentar a oficina porque não tinha nada para fazer depois da escola. “Aqui, pelo menos, eu danço e faço amigos. Meus pais me apoiam porque têm confiança de que esse projeto pode trazer alguma coisa boa para mim”, conta.

Bertine Role, de 23 anos, também participa das oficinas da ONG brasileira. Desde o terremoto de janeiro, ela não mora mais em Bel Air porque, depois da destruição de sua casa, teve que morar com parentes em outra cidade, próxima a Porto Príncipe. Mesmo assim, não deixa de retornar ao antigo bairro para participar da oficina de dança.

“Depois de passar por uma catástrofe como foi o terremoto, tive que encontrar algum lazer, alguma coisa para combater o estresse, por isso venho para a oficina da Viva Rio”, disse a haitiana.

Nazaire Katsu, de 32 anos, é um dos homens que participam da oficina. Ex-dançarino de hip hop, ele decidiu participar da atividade, que ensina danças tradicionais haitianas com um toque brasileiro. “Muita gente que eu conhecia perdeu a vida no terremoto. Fiquei muito triste. Então, achei importante fazer uma atividade como essa”, disse.

O haitiano mora em Bel Air com a mulher e o filho. Depois que sua casa foi destruída pelo terremoto, ele usou as habilidades de artesão para construir um novo lar, de madeira, para abrigar a família no acampamento onde vive.

Apesar do desastre que marcou sua vida e dos problemas do país, Nazaire diz que gosta do Haiti e que pretende continuar morando ali. “Essa é a minha terra natal. É aqui onde tenho minha vida. Acho que essas eleições poderiam nos dar um bom governo, que fosse capaz de ajudar todos os haitianos que precisam”, disse.

Bertine também diz que pretende continuar vivendo no Haiti, apesar de todas as dificuldades, e aposta suas fichas no novo governo. “Temos muitos problemas de segurança, de lixo e de falta de escolas, de hospitais e de universidades. Mas, para mim, o país é bom, porque nasci aqui. Precisamos de alguém que organize as coisas”.

A pequena Eliana Brignol não manifesta tanto otimismo quanto seus colegas mais velhos. “Não gosto de morar no Haiti porque aqui tem muitos criminosos, que atiram nas pessoas. As crianças não podem comer bem e há pais que não conseguem pagar uma escola para seus filhos”, diz a menina, acrescentando que gostaria de morar no Brasil, desejo compartilhado pela colega Wood-Line Joseph.


 

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