Quarta-feira, 25 de novembro de 2015 - 08h01
Restos do avião russo abatido por míssil turco
A Rússia está pronta para cessar todos os projetos comerciais e abandonar a cooperação militar com a Turquia, após o incidente com o Su-24 da Força Aeroespacial da Rússia. A informação foi divulgada pelo jornal empresarial russo Kommersant, que cita fontes nos órgãos do Estado.
Uma fonte na administração presidencial russa declarou que as decisões em relação a Ancara serão “duras” e terão influência séria nas relações bilaterais em várias áreas, inclusive na energética. Segundo divulgou a publicação, a maior empresa petrolífera russa, a Gazprom, avaliará a racionalidade de realização do projeto de gasoduto Corrente Turca (também chamado de Turkish Stream).
Além disso, outro grande contrato energético entre a Rússia e a Turquia está em questão – sobre a construção pela estatal de energia atômica russa Rosatom da primeira usina nuclear turca em Akkuyu, que custaria US$ 22 bilhões e se tornaria a maior da Rosatom.
A Turquia poderá por sua vez limitar a passagem de navios russos pelos estreitos de Dardanelos e Bósforo, o que influirá o abastecimento da base aérea russa Hmeymim, na Síria. Mas Ancara só pode dar este passo se decidir que existe ameaça de guerra, de acordo com a Convenção de Montreux sobre o Regime dos Estreitos assinado em 1936, que regula a atividade militar da região.
Mas, mesmo neste caso, a liberdade de navegação comercial continuaria em vigor, só com certas limitações. A plena proibição da navegação pode ser introduzida só em caso de o país entrar em guerra.
Na manhã de ontem (24), um caça russo Su-24 foi abatido na Síria. O presidente Vladimir Putin declarou que o avião foi abatido por um míssil disparado por um avião turco F-16, tendo o avião caído em território sírio, a quatro quilômetros da fronteira com a Turquia. O presidente russo chamou a derrubada do avião de "golpe nas costas" por parte dos coniventes com o terrorismo.
Na tarde dessa terça-feira, a Agência Federal do Turismo da Rússia (Rosturizm) proibiu a venda de vouchers para viagens à Turquia, explicando a decisão pela crescente ameaça de terrorismo. Mais cedo o chanceler russo Sergei Lavrov cancelou visita à Turquia e avisou os cidadãos russos de possíveis ameaças terroristas na península da Anatólia.
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