Porto Velho (RO) sábado, 22 de setembro de 2018
×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Organizações vão monitorar desmatamento na Pan-Amazônia


Luana Lourenço
Enviada Especial*

Agência Btasil, Belém (PA) - Um grupo de organizações não governamentais (ONGs) vai começar a monitorar o desmatamento na Pan-Amazônia. Os primeiros mapas, com informações sobre o estado da floresta em 2000, 2005 e 2010, serão apresentados em até três meses. O monitoramento vai permitir uma visão integrada das pressões que ameaçam a floresta nos nove países que compartilham o bioma.

A iniciativa é uma parceria entre o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), reconhecido pelo monitoramento do desmate na Amazônia brasileira, a Articulação Regional Amazônica (ARA) e a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Referenciada (Raisg).

“Os dados hoje são uma colcha de retalhos. É preciso ter uma radiografia integrada”, avaliou o pesquisador sênior do Imazon, Carlos Souza.

O monitoramento regional deve permitir um diagnóstico das pressões sobre o bioma, que não se limitam às fronteiras nacionais e têm impactos sobre toda o ecossistema. “Não existem várias amazônias, existe uma só. O futuro na Amazônia brasileira está intimamente ligado ao da Amazônia andina. É uma só bacia, se o Peru e o Equador não cuidarem da parte alta da bacia, os prejuízos também serão do Brasil”, ponderou o presidente da Fundação ProNaturaleza, do Peru, Marc Dourojeanni.

O Brasil, que abriga mais de 64% do bioma, ainda é de longe o país que mais desmata a Floresta Amazônica, mas dados recentes mostram que o desmatamento nos países andinos tem aumentado em ritmo muito maior que no Brasil, principalmente na Bolívia e no Equador.

“É uma região que não está isolada, os limites políticos são importantes, mas o ecossistema está integrado. O que acontece nos Andes, na cabeceira dos rios, vai ter impacto direto aqui no Brasil”, acrescentou Souza, do Imazon.

A partir dos mapas de referência, será possível planejar a implementação de um monitoramento periódico de toda a região, como o Imazon faz no Brasil com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). A ONG divulga relatórios mensais do desmatamento na Amazônia, de forma paralela ao levantamento oficial feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo Souza, o grande desafio para dar escala às ferramentas e garantir que o monitoramento seja constante é o financiamento. “O desafio não é mais técnico, é operacional. Para transformar essas ações em projetos operacionais é preciso ter garantias financeiras para isso. Há custos para se ter um laboratório minimamente equipado, contratação de técnicos, pessoal para ir a campo”, listou.

A parceria das ONGs antecipa uma iniciativa da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que tem negociado o compartilhamento de metodologias brasileiras de monitoramento de desmate com países amazônicos vizinhos. A iniciativa pretende pleitear recursos do Fundo Amazônia para financiar o projeto.

A discussão de estratégias integradas para a Amazônia é um dos focos do debate do encontro Cenários e Perspectivas da Pan-Amazônia, organizado pelo Fórum Amazônia Sustentável, em Belém.

*A repórter viajou a convite do Fórum Amazônia Sustentável // Edição: Juliana Andrade

Mais Sobre Meio Ambiente

SP corre risco de enfrentar crise hídrica mais grave que a de 2014

SP corre risco de enfrentar crise hídrica mais grave que a de 2014

O Sistema Cantareira, que abastece parte da capital paulista e da Região Metropolitana, estava com quase 60% da capacidade um ano antes da crise de 20

Novo marco legal do saneamento gera polêmica no setor

Novo marco legal do saneamento gera polêmica no setor

Agentes reguladores estão avaliando a medida provisória

Parque Ecológico Municipal recebe plantio de Ipê e Flamboyant

Parque Ecológico Municipal recebe plantio de Ipê e Flamboyant

Um grupo de 30 crianças da Fundação JiCred plantou mudas de ipê e flamboyant no Parque Ecológico Municipal. A ação foi realizada pelo Sistema Cooperat