Segunda-feira, 23 de março de 2026 - 09h30

O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério
Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) promoveram, na
última quarta-feira (18), audiência pública sobre os eventos climáticos
extremos, como grandes enchentes e secas severas no Rio Madeira, seus impactos
socioambientais e a governança da bacia hidrográfica. Representantes de
comunidades e de órgãos ambientais participaram do evento intitulado “Rio
Madeira, as mudanças climáticas e os grandes empreendimentos”, realizado no
auditório do MPT, em Porto Velho (RO).
Entre os objetivos do encontro, destacou-se a
escuta das comunidades e o avanço na criação de um comitê que reúna
representantes de instituições como o MPF, o MPT, a DPU, o Ministério Público
de Rondônia (MPRO), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável (Sema).
“Esta audiência busca suprir a ausência de um
espaço de escuta e reforçar a necessidade da criação do Comitê de Bacia
Hidrográfica como instância permanente de debate, onde a população deve ser
ouvida previamente à formulação de políticas públicas e à implementação de
empreendimentos no Rio Madeira”, explicou o procurador da República Gabriel
Amorim, que idealizou o evento.

Comunidades ribeirinhas e representantes de
diferentes etnias participaram do debate, apresentando a realidade cotidiana,
expondo dificuldades e discutindo formas de tornar a escuta mais ativa e
eficaz. Após a audiência, o Fórum Rio Madeira deu continuidade às discussões
com as lideranças presentes.
Para a liderança do povo Miguelo, Nara Migueleno, a
relevância do evento reside na oportunidade de manifestação das pessoas
diretamente envolvidas. “Não se pode propor projetos ou pautas sem a prévia
escuta das comunidades ribeirinhas”, afirmou.
“Os povos indígenas não desejam desenvolvimento sem
a nossa presença e sem a nossa escuta. O Rio Madeira não é apenas um corredor
logístico, mas um território indígena e ribeirinho, além de um ser vivo e
sagrado para nós e não um recurso natural passível de exploração econômica.
Reivindicamos respeito a esse ente que integra nossa cultura e existência”,
reforçou a liderança indígena Samara Kokama.
Como anfitrião, o MPT destacou a importância de
ouvir as populações para minimizar os impactos climáticos. “A audiência foi
fundamental para dar visibilidade e voz aos ribeirinhos afetados por
empreendimentos e pelas mudanças climáticas junto às instituições. Trata-se de
problemas já conhecidos, que foram apresentados diretamente pelos atingidos. A
partir disso, buscamos, de forma conjunta entre as instituições, pensar e
articular estratégias que assegurem a defesa desses povos”, concluiu o
procurador do trabalho Carlos Alberto.
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