Segunda-feira, 4 de março de 2024 - 11h42

De 04 a 06 de março, a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé vai
promover a formação de usuários do Sistema de Monitoramento de Desmatamento
Kanindé (SMDK) para representantes de quatro terras indígenas (Pacaas Novas,
Uru Eu Wau Wau, Sete de Setembro e Rio Branco de Rondônia), além de parceiros
convidados.
A formação vai acontecer no escritório da Kanindé, em Porto Velho. O
objetivo é que os indígenas sejam formados para usar a plataforma no
monitoramento em seus territórios, aliando a ferramenta ao conhecimento
tradicional de cada povo e comunidade.
O SMDK é um sistema que monitora invasões e desmatamentos nas terras
indígenas do estado de Rondônia. Através de alertas gerados pela plataforma, o
Núcleo de Geoprocessamento e Monitoramento Territorial Kanindé consegue
verificar e validar o alerta.
“Todos os dados gerados vão para o núcleo de incidência, o alerta pode
ser verificado em campo ou no escritório. Dependendo do grau do alerta,
formalizamos a denúncia aos órgãos fiscalizadores e à imprensa. Nós temos os
núcleos técnico, jurídico e de comunicação trabalhando colaborativamente para
garantir a divulgação das informações”, explica Israel Vale, coordenador de
Monitoramento da Kanindé.
A concepção da plataforma nasceu quando a Kanindé percebeu a urgência de
desenvolver seu próprio sistema de monitoramento. Esta plataforma oferece
atualizações diárias sobre as atividades nas terras indígenas, enquanto outras
plataformas apresentam tempos de resposta variados, podendo demorar até 15 dias
para emitir alertas.
A criação do SMDK aliou a experiência em monitoramento da Kanindé com as
demandas apresentadas pelos povos indígenas. A ferramenta fornece uma resposta
quase em tempo real do que está acontecendo nos territórios, tornando possível
a realização de ações efetivas contra as invasões ilegais.
O sistema, que está em funcionamento desde 2021, foi criado em parceria
com a organização não-governamental WWF-Brasil e com as associações indígenas,
a partir do financiamento da Fundação Gordon e Betty Moore. A plataforma também
inclui alertas de outros sistemas a nível nacional. Inicialmente, apenas cinco
terras indígenas eram monitoradas, hoje o monitoramento abrange todos os
territórios indígenas de Rondônia e já há discussões para ampliar a cobertura
do sistema.
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