Sábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Meio Ambiente

Idaron notifica comerciantes e produtores rurais consumidores de agrotóxicos


 

Responsável no Estado de Rondônia pela fiscalização de toda cadeia produtiva dos produtos químicos classificados como agrotóxicos, a Agência de Defesa Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) alertou na última sexta-feira (26) comerciantes e produtores rurais que continuará notificando todos os segmentos sobre a importância do cumprimento das normas relativas à produção, transporte, uso e até a destinação final das embalagens desses produtos.

Gente de Opinião

Segundo a engenheira agrônoma Eutália da Cunha Alves, coordenadora de Agrotóxicos da Idaron, as 143 empresas revendedoras desses produtos químicos em Rondônia já foram notificadas e são fiscalizadas continuamente por força de norma legal, como forma de garantir a qualidade de toda produção vegetal do Estado. ”Todo o fabricante, empresa comercializadora, armazenadora e até as prestadoras de serviços de aplicação de agrotóxicos só podem atuar com o devido registro da Idaron”, disse ela, lembrando que no perímetro urbano é expressamente proibido o uso de qualquer tipo de herbicida para limpeza de quintal, cujo descumprimento, além de multa gera outras punições legais.

O uso do agrotóxico em Rondônia, como de resto em todo País, obedece a um rigoroso controle dos órgãos de fiscalização sanitária, que não se limita a campanhas de orientação. Segundo a coordenadora da Idaron, o órgão acompanha e controla todas as etapas, desde a produção propriamente dita ou aquisição nas indústrias, até o descarte das embalagens. Ela informou, ainda, que sobre o produtor rural ainda recai a fiscalização do uso. “Nós precisamos saber se o agrotóxico adquirido está sendo aplicado adequadamente em quantidade e em relação à cultura”, disse.

A preocupação do governo de Rondônia se justifica na medida em que os números mundiais apresentam índices estarrecedores de intoxicações pelo uso direto, sem considerar as milhares de doenças e mortes decorrentes da ingestão de produtos contaminados por agrotóxicos. Os dados estatísticos não são novos ou atualizados, mas de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) as intoxicações agudas por agrotóxicos são da ordem de 3 milhões anuais, com 2,1 milhões de casos só nos países em desenvolvimento. O número de mortes atinge 20 mil em todo o mundo, com 14 mil nas nações do terceiro mundo.

NÚMERO MAIOR

Os números reais são ainda maiores devido à falta de documentação a respeito das intoxicações subagudas, causadas por exposição moderada ou pequena a produtos de alta toxicidade, de aparecimento lento e sintomatologia subjetiva, e intoxicações crônicas, marcadas por meses ou anos de exposição, e tardiamente revelam danos, como neoplasias.

Os dados disponíveis sobre os números no Brasil não permitem uma avaliação real do quadro. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas em 2004, já apresentavam uma situação gravíssima que exigia ação rigorosa do Poder Público. Já naquela época o relatório revelou que o uso de agrotóxico no Brasil aumentou de 2,3 quilos por hectare para 2,8 quilos/ha, uma elevação de 22%. Enquanto o mercado de agrotóxico no mundo, entre 2002 e 2010 cresceu 93%, o Brasil deu um “show”, e cresceu no mesmo período nada menos que 190%, movimentando, no último ano da pesquisa, R$ 8,9 bilhões.

O Brasil está entre os maiores usuários de agrotóxicos no mundo, perdendo apenas para a Holanda, Bélgica, Itália, Grécia, Alemanha, França e Reino Unido, segundo dados do Sindicato Nacional das Indústrias de Defensivos Agrícolas (Sindag).

Gente de Opinião

As embalagens vazias dos agrotóxicos devem ser devolvidas a um dos 13 postos de recolhimento da Idaron

O Estado de Rondônia mantém-se atento e, por causa desses números, os 58 técnicos (engenheiros agrônomos) da Idaron dispensam, além do trabalho de fiscalização, atenção especial ao descarte das embalagens. O agricultor ao adquirir qualquer produto, seja herbicida ou defensivo, recebe orientação quanto a devolução das embalagens dos produtos. A Idaron mantém 13 postos de recolhimento no Estado – Porto Velho, Ariquemes, Machadinho, Jaru, Ouro Preto, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena que demanda sozinha 60% de todo agrotóxico consumido em Rondônia, entre outros –, além das próprias casas de comércio que podem servir como ponto de apoio a este trabalho.

Na região Norte, Rondônia é o destaque nesta iniciativa, que é uma exigência legal, e em 2014 bateu recorde com o recolhimento de 25 mil embalagens desses produtos. O descarte irregular dessas embalagens, assim como o uso incorreto desses produtos, são atitudes que têm influência direta na degradação dos recursos naturais, na contaminação do solo, água, flora e fauna, nos desequilíbrios biológicos e ecológicos, além de ser responsável por uma série de doenças causadas pela contaminação, que vão de uma “simples” irritação a um câncer.
 



Fonte
Texto: Cleuber R Pereira
Fotos: Admilson Knightz
Decom - Governo de Rondônia

Gente de OpiniãoSábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Prefeitura de Porto Velho registra avistamento de onça-parda em área urbana e intensifica monitoramento no Parque Circuito

Prefeitura de Porto Velho registra avistamento de onça-parda em área urbana e intensifica monitoramento no Parque Circuito

A Prefeitura de Porto Velho informa o registro de avistamento de uma onça-parda (Puma concolor), também conhecida como suçuarana, nas proximidades do

Estudante da UFSCar descobre nova espécie de ave na Amazônia

Estudante da UFSCar descobre nova espécie de ave na Amazônia

Um canto incomum ouvido na Serra do Divisor, no estado do Acre, na fronteira com o Peru, levou o biólogo e ilustrador Fernando Igor de Godoy, doutor

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

“Vou estudar debaixo da árvore que plantei”: criança traduz o propósito do plantio que mira um Carnaval de carbono neutro

A Ecoporé, instituição com 37 anos de história em Rondônia, e o Bloco Pirarucu do Madeira uniram forças em uma ação que redefine a relação entre as

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

De Rejeito a Recurso: Estudo sobre a Viabilidade do Condensado de Ar-Condicionado em Água Reutilizável

Pesquisadores de Porto Velho-RO apresentam solução inovadora para reaproveitar água de ar-condicionado em prédios públicos, promovendo sustentabilid

Gente de Opinião Sábado, 7 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)